domingo, 18 de novembro de 2007

Dr. Pai de Santo by ISTO É



Dr. Pai de Santo
Em São Paulo, faculdade credenciada pelo Ministério da Educação irá formar a primeira turma de teólogos umbandistas este ano

RODRIGO CARDOSO



Não fosse pelo nome – Faculdade de Teologia Umbandista (FTU) –, a fachada da instituição de ensino, localizada em São Paulo, não seria motivo de estranheza. Do lado de dentro da portaria de entrada, o pátio arborizado, a biblioteca com três mil volumes e a lanchonete com café expresso – e do bom – também não fogem do padrão tradicional. É nas salas, porém, que a coisa começa a ganhar outros ares. Os cerca de 150 alunos assistem às aulas descalços – sapatos, tênis, mocassins e sandálias ficam enfileirados do lado de fora da porta. Entrar lá é como pisar em um terreiro, o ambiente sagrado da umbanda, a primeira religião surgida no Brasil, há 99 anos. Perto do quadro negro, um incenso queima enquanto o professor, de túnica, ensina ao lado de um atabaque encostado na parede. Há ainda, entre os corredores da faculdade, três altares e uma imagem de um caboclo, a entidade mais representativa da religião.

É desta faculdade que, no final do ano, sairão os primeiros cinqüenta teólogos umbandistas do País. O curso, com duração de quatro anos, é autorizado pelo Ministério da Educação (MEC) desde 2003. E a FTU, a única entre as 21 faculdades de teologia credenciadas pelo órgão federal fora da tradição judaico-cristã. Com caderno sobre a carteira e caneta em mãos, os alunos aprendem tudo sobre o processo ritualístico da religião, tanto no aspecto prático quanto no simbólico. Tocam agogô – a faculdade tem um acervo de quatro mil discos de músicas de umbanda, candomblé, capoeira e outras práticas – e preparam ervas para defumação, mas não só isso.


TRADIÇÃO “Quero entender os porquês e não só praticar”, diz o aluno Maurício Caldeira

Há aulas de filosofia, antropologia, arte, lógica, entre outras disciplinas. Ou seja, a grade curricular da FTU não visa à formação de pais e mães-de-santo, apesar de capacitar os universitários também para a função. Isso fica claro no vestibular, que segue o padrão de universidades tradicionais. Existem questões de conhecimento geral, matemática, química e física. E não há perguntas específicas sobre orixás ou entidades da religião. O MEC, para conceder a licença à FTU, avaliou a proposta pedagógica, as instalações e o currículo dos professores. “Não queremos que o profissional viva da umbanda, mas para a umbanda”, conta Roger Soares, um neurologista do Hospital Beneficência Portuguesa, mestre em educação pela USP e professor da FTU. “Queremos formar gente para aprender a umbanda, juntar os conhecimentos que estão dispersos e divulgá-la.”

É com esse intuito que Maurício Caldeira, formado em ciências contábeis, freqüentava a aula de hermenêutica (interpretação de livros sagrados) do quarto ano, na segunda-feira 12. “Não faço o curso com o objetivo profissional de ganhar dinheiro com o canudo nas mãos”, diz ele, de terno e gravata – e descalço. Com 30 anos, Maurício freqüenta um centro há dez e diz que compartilha no terreiro os ensinamentos da faculdade: “Quero dar sustentação ao que eu acredito. Não só praticar, mas entender os porquês.” No escritório de contabilidade onde ele trabalha, as pessoas, depois de um estranhamento inicial, já sabem que o colega não freqüenta a faculdade para se formar pai-de-santo profissional.


PÉ NO CHÃO Ao lado de um altar, alunos aprendem filosofia, antropologia e também a tocar instrumentos e preparar ervas para defumação
Ao todo, a FTU possui 150 alunos matriculados em quatro turmas. A mensalidade custa R$ 340. Todos os 15 professores possuem graduação em alguma faculdade convencional. Há, por exemplo, um livre-docente em engenharia de alimentos pela Unicamp e um professor de psiquiatria da USP lecionando na FTU – todos com ligações com a umbanda. Dos alunos, 99% são adeptos da religião. Criada no catolicismo e ex-seguidora do hinduísmo, Silvia Garrubo, 46 anos, é umbandista há dez anos. Formada em letras pela USP e coordenadora de um departamento no Instituto do Coração, em São Paulo, ela pensa, com o canudo em mãos, discutir políticas públicas e dar palestras.

Aprendo as várias linguagens desse grande guarda-chuva com várias hastes que é a umbada”, diz ela sobre a religião, que foi influenciada pelo espiritismo, catolicismo e por tradições africanas. Na semana passada, Silvia deu um grande passo para se tornar uma das primeiras teólogas umbandistas do País. Saiu-se muito bem no trabalho de análise crítica de livros umbandistas, apresentado por ela em uma sala, ao lado de um altar – e descalça.

JESUS TAMBÉM ENSINA
No começo do ano, a Faculdade de Teologia Evangélica (Fatev), em Curitiba, ganhou a chancela do MEC para o curso de teologia evangélica com ênfase em missão urbana. A instituição é setorizada e não ministra outro curso. Ela capacita os alunos, após quatro anos em sala de aula, a atuar como pastores, missionários e capelães. “Não queremos que o aluno seja um anônimo como acontece em grandes universidades, com cursos diversos”, explica Martim Weingaertner, diretor da Fatev. Segundo ele, há uma crise no modelo de trabalho da igreja, que se desestruturou quando o culto deixou de ser praticado, na sua maioria, na esfera rural e se instalou nas grandes cidades. É esta lacuna que a Fatev quer preencher.

Um dos desafios dos alunos, com o canudo na mão, será resgatar dependentes químicos, alcoólicos e pessoas em crise familiar para a vida em comunidade. De preferência, claro, sob os princípios evangélicos. Trinta e dois alunos entre 17 e 56 anos – apenas um católico – cursam o primeiro ano. A mensalidade custa R$ 530 e metade deles obteve bolsa. A instituição é fiadora de alunos que moram em repúblicas próximas a ela. “Quero desenvolver um trabalho missionário como diretor de acampamento”, diz Ruben Thibm, de 21 anos.

Miele vai lançar grife masculina


Miele vai lançar grife masculina ALCINO LEITE NETO - ultima.moda@folha.com.br

Carlos Miele segue a pleno vapor. Em agosto, criou a Miele, segunda linha de sua grife, mais jovem e menos cara. Anteontem, inaugurou sua loja em Paris, na badalada rua Saint Honoré. Agora, anuncia o lançamento de uma linha de roupas para noivas, a Carlos Miele Bridal, e de uma grife para homens, a Miele Masculino (nome provisório), as duas para o primeiro trimestre de 2008.
"As grifes brasileiras para homens são muito voltadas para o próprio país. Quero fazer algo mais cosmopolita, internacional, com estilo sóbrio e modelagens modernas. Também vou usar tecidos sofisticados, o que é raro na confecção masculina brasileira", diz Miele.
O estilista tem mais novidades. Está inaugurando em Salvador, neste mês, a terceira loja Miele (as outras duas já estão nos shoppings Morumbi, em São Paulo, e Leblon, no Rio). Abre em dezembro a primeira franquia da mesma grife em Miami. E vai publicar no início de 2008, nas principais revistas do mundo, a sua primeira campanha publicitária mundial.
A estrela da campanha será Carol Trentini, e as fotos foram feitas por Michael Roberts, que é um dos diretores da revista "Vanity Fair". Roberts assina ainda as imagens e a edição do livro "Carlos Miele", um álbum sobre o designer e o estilo brasileiro que vai ser lançado em março próximo, em Paris.
A loja parisiense do estilista terá papel fundamental nos cálculos internacionais de Miele. Com dois andares e 230 m2, custou US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 2,6 milhões). É a segunda que ele abre fora do Brasil, depois da de Nova York. Ambas foram feitas pelo arquiteto Hani Rashid, premiado pelo projeto da loja americana e irmão do designer hype Karim Rashid -que fez o projeto gráfico da revista Moda, da Folha.
Os planos de Miele ainda não acabaram. Em 2008, ele quer expandir de 71 para 90 as lojas da M.Officer, da qual é o único dono e de onde vem a sua principal fonte de renda. "Sim, perdi a identidade da M.Officer nos últimos anos", reconhece ele. "Mas muito menos que as outras marcas brasileiras de jeanswear", rebate.
Ele quer concentrar sua atenção na M.Officer, que deixou meio de lado enquanto cuidava de sua carreira internacional. "Vou trazer padrões novos para a M.Officer. Quero prepará-la para a exportação, pois pretendo competir com as grandes corporações mundiais", afirma.
Trocando em miúdos: ele vai aproximar a M.Officer do sistema de produção das marcas "fast fashion". E aproveita para fazer um diagnóstico a respeito da crise do jeanswear fashion brasileiro: "As grifes nacionais preferiram vender as próprias marcas e descuidaram dos produtos. Mas, atualmente, as pessoas pensam muito antes de pagar caro por uma roupa. Não é só a força da marca que interessa, mas o preço justo pelo que você está oferecendo".
Para Miele, na moda, hoje, é preciso distinguir personalidade de tendência. A segunda virou sobretudo um assunto da indústria "fast fashion". "Se você quer só tendência, vai na Zara. Se quer personalidade e roupa de alto padrão, vai numa grife renomada, como a Dior". Na opinião do estilista, para se manter no mercado atual, uma grife tem que ter personalidade forte, "inclusive para não seguir tendências", ele diz.
Ambicioso e poderoso como poucos no mercado fashion brasileiro, Miele vai angariando pouco a pouco um renome mundial que nenhum estilista brasileiro conseguiu até agora.
No último desfile da grife Carlos Miele em Nova York, arrebanhou vários elogios, inclusive da influente crítica Suzy Menkes, do jornal "International Herald Tribune".
No meio da moda brasileira, apesar do seu sucesso comercial, ele tem fama de possuir uma personalidade polêmica e irascível. Há anos está rompido, inclusive, com o diretor da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges. Mas Miele parece não dar a mínima para o que falam dele por aqui. "Estudei em nove colégios e fui convidado a sair de sete. Nunca me interessei em ser o sujeito que quer agradar aos outros", dispara.

by uol

O estilista paulistano Carlos Miele, 42 anos, elevou a moda brasileira a novos patamares – e promete continuar abrindo caminhos neste ano. Em 2003, ele passou a gestão da sua M.Officer para executivos contratados e inaugurou a primeira loja Carlos Miele em Nova York. O sucesso começou com o projeto arquitetônico, do egípcio Hani Rashid. O ambiente tornou-se uma das referências da arquitetura contemporânea da cidade e foi capa de importantes revistas de design de interiores em diversos países. Suas roupas, pontuadas pela convergência entre materiais modernos e artesanato popular, também conquistaram as americanas. Para 2007, os planos são de expansão. “Vou inaugurar uma loja na rue Saint Honoré, em Paris, e darei continuidade ao crescimento da M.Officer no Brasil”, planeja. O estilista também acaba de lançar uma marca, de estilo mais casual, a Miele by Carlos Miele. “Também quero abrir 20 lojas nas principais capitais do País e aumentar o atual número de 19 países para 30 países que vendem esta coleção”, prevê. Planos ousados? É esse mesmo o negócio dele. by isto é
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com VIVIAN WHITEMAN

Texto Anterior: Teatro: Ventoforte faz feira teatral com 14 peças
Próximo Texto: 7 For All Mankind chega a São Paulo
Índice by http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1611200720.htm

Como a Globo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




A globo anda passando por vexame nas investidas da REcord, com certeza, e com a Band.Será?
Não custa observar a queda de ibope da Globo.
Agora, será que o publico nao se tornou mais crítico também?
Por que não podemos apostar nisto também?
Paulo

domingo, 11 de novembro de 2007

novo livro de George França!!!!!!!!!!!!!!!!! EU RECOMENDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!PAULO VASCONCELOS


O Design Instrucional na Educação a Distância R$30,00



Clique para ampliar
A moda de discutir todos os processos cognitivos à luz somente das interfaces tecnológicas nos faz desconhecer e desconsiderar as teorias subjacentes às práticas e à eficácia da aprendizagem on-line. Comentamos muito a respeito das múltiplas e, como pensam alguns teóricos, quase miraculosas qualidades da Educação a Distância (EaD). Os meios tecnológicos freqüentemente se tornam tão importantes que os conteúdos, os significados e a funcionalidade da aprendiza¬gem ficam quase esquecidos, tornando-se mera sombra ou nuvem passageira.

ISBN: 978-85-87293-42-8-8
Publicação: 2007
Formato: 14 x 21 cm
Numero de páginas: 112
Autor: George França
Preço: 30,00

POR QUE O RÁDIO?????????????????????????????????



PQ O RADIO TEM SOM TÃO ALTO?
PQ A PUBLICIDADE SE UTILIZA DO SOM ALTO?
PQ O SOM VEM SUBINDO NO RADIO E TV?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

EXPOSIÇÕES


EXPOSIÇÕES
Yoko Ono

Artista faz performance inédita no Municipal
Fabio Rigobelo

Diz a lenda pop que o motivo que levou John Lennon a querer conhecer Yoko Ono foi a experiência que o beatle teve ao "participar" de uma obra da artista, na qual o espectador tinha que subir uma escada para poder ler através de uma lupa o que estava escrito lá no alto. Lennon ficou satisfeito e estimulado ao ver que, lá em cima, estava escrita a palavra "sim", e nada mais. Passados mais de 40 anos, o desejo de Yoko continua o mesmo: "Espero que você se pegue sorrindo "ao participar de minhas obras"!", afirmou ela em entrevista aoGuia por e-mail.

O trabalho em questão, "Ceiling Painting", é um dos que estarão na mostra retrospectiva da carreira de Yoko Ono que o Centro Cultural Banco do Brasil inaugura no próximo dia 11. Antes disso, porém, a viúva de Lennon realiza uma performance inédita no Teatro Municipal, na quinta (dia 8).

"Uma Noite com Yoko", espetáculo criado especialmente para sua vinda a São Paulo, faz uso de projeções e música para abordar diferentes momentos de sua vida. Questionada sobre performers que admira hoje, a artista de 74 anos mostra um otimismo pleno, quase pueril. "Amo e admiro todos os artistas. Qualquer um que decide criar algo é um anjo", explica Yoko.

Esta será a segunda vez que a artista japonesa vem ao Brasil (a primeira foi em 1998, quando expôs em Brasília). Os eventos integram a programação do CCBB dedicada às comemorações do Centenário da Imigração Japonesa, que acontece em 2008. Apesar de viver em Nova York desde os anos 60, Yoko faz questão de destacar: "Vou ao Japão uma vez por ano. É meu país. Meu coração."

Teatro Municipal (pça. Ramos de Azevedo, s/nº, região central, tel. 3222-8698). 1.580 lugares. Qui.: 21h. Ingr.: R$ 60 a R$ 200 (p/ estudantes: R$ 30 a R$ 100). Ingr. p/ tel. 6846-6000.A D T

by uol

domingo, 4 de novembro de 2007

FERIA Y CARNAVAL. Los números detrás del evento literario:

FERIA Y CARNAVAL. Los números detrás del evento literario:
EL mall del libro

Macarena García G.
Brasil pone las bailarinas de carnaval, algunos escritores y espectáculos para todo público.

Los editores chilenos, la nota disidente. Por primera vez se unieron en una asociación que quiere otra feria para Chile. Desde los últimos stands, ofrecen un descuento del 19% y duras críticas contra los organizadores.



MACARENA GARCÍA G.

Una mulata vestida de carnaval con una corona de plumas verdes y amarillas invita a pasar. A la altura de las caderas abre su vestido y despliega un ruedo de páginas de libro. Sonríe bajo el título de "El Carnaval de la Cultura", dando la bienvenida a la vigésimo séptima Feria Internacional del Libro de Santiago.

Bajo ella pasan dos mujeres entradas en años que vienen a ver el show de la cantante de samba Elza Soares. Una explica a la otra que esta feria está dedicada a Brasil. Casi.

Brasil es el país invitado. En las ferias del libro del mundo se usa eso, invitar a un país a llevar a sus narradores a modo de plataforma de despegue de relaciones culturales bilaterales, y de aterrizaje a nuevos lectores. En Chile se hace desde hace cinco años y, conjugando esa difícil ecuación de intereses económicos, políticos y simpatías gremiales, la Cámara Chilena del Libro decidió invitar a los brasileños. Después les propusieron montar un carnaval.

"Brasil tiene una buena marca", confiesa Eduardo Castillo, presidente de la Cámara Chilena del Libro, institución a cargo de la feria. "Cuando dijimos que les invitábamos a ellos hubo alegría general, desde la Presidente de la República a todos. Porque uno asocia carnaval a Brasil y el carnaval es una fiesta popular".

Castillo dice que su objetivo es que la Feria Internacional del Libro de Santiago sea una fiesta popular. Por eso se instalaron en la antigua estación de trenes de Santiago donde la exhibición y venta de libros se acompaña de actividades en ocho salas. Y tal vez por eso también la presencia de Brasil repercute más por los músicos invitados que por esos escritores poco traducidos a nuestro idioma. En la Estación Mapocho hay muchos altavoces y parlantes desde los que se escapan ritmos de samba y bossa nova. En el stand de Brasil no se ven más de 10 libros en español, pero hay revistas de viaje y libros con fotografías.

El resto de la feria se asemeja a la de años anteriores. Con plazas de alfombra y árboles de madera, ahora pintados de azul y rematados con el logo del auspiciador oficial, "Chilectra", y anuncios sucesivos de actividades por altavoz. Se ven menos novedades en los stands (a excepción de Fondo de Cultura Económica, que apostó por traer otros sellos), y la tendencia pareciera ser apostar por vender muchos ejemplares de pocos títulos, antes de arriesgarse a terminar en las librerías de saldo. Y los saldos brillan por su ausencia; de hecho, hay stands que cobran más que las librerías. Pero, como bien dijo el viceministro de Cultura brasileño en la ceremonia de inauguración, éste es "el principal evento cultural de Chile". Un país que él dijo admirar por su "amor al libro y la lectura".

Feria, carnaval y fisura

En sus orígenes, los carnavales eran el desbande previo a la abstinencia de la cuaresma donde se invertían y mezclaban las clases sociales. Se borraba la fisura. Pero en la Feria Internacional del Libro de Santiago ésta está apareciendo. Por primera vez, el grueso de las editoriales nacionales se agrupó fuera de la Cámara del Libro y en confrontación con ella. "Nosotros creemos que la feria debe estar marcada por la calidad de la oferta cultural y no por el espectáculo", argumenta Marisol Vera, de Cuarto Propio. "La programación debiera estar centrada en debates, presentación de autores y nuevas líneas; en cultura, antes que en los aspectos básicamente comerciales".

Hace ya 7 años las editoriales chilenas -las que no pertenecen a los grandes conglomerados extranjeros- formaron una asociación paralela a la Cámara a la que ellos pertenecían y de la que muchos eran directores. Pero el año pasado se les pidió a esos directores que optaran por una u otra. Optaron ellos y otras 16 editoriales que se salieron de la Cámara para quedar bajo el alero de la Asociación de Editores de Chile (hoy integrada por 42 miembros). "El problema es que para participar en la feria nos cobran 77% más que a las editoriales y distribuidoras que son socias de la Cámara. Nos pareció exagerado y negociamos en bloque", explica Paulo Slachevsky de LOM. Su socia, Silvia Aguilera, completa: "Juntos conseguimos un descuento, porque dijimos que si no, no vendríamos y montaríamos un escándalo". Ahora ellos (con su descuento de 13,5% y sus stands de 10 metros cuadrados) están agrupados en el sector D, bajo esa carpa en la que se amplió el siempre insuficiente recinto ferial. Mandaron a hacer chapitas en las que se lee "D de diversidad" y unos afiches en los que anuncian que ése es territorio libre de IVA. "Es algo simbólico, porque no podemos dejar de cobrarlo, pero al menos podemos hacer descuentos de 19% en cada libro", explica Marisol Vera.

Las críticas no acaban allí. Aguilera y Slachevsky despliegan sobre la mesa el programa del evento y hacen ver que las actividades de la Asociación de Editores casi nunca califican para ser destacadas. "Nosotros haremos un acto importante en la Sala de las Artes donde caben 1.000 personas, mandamos fotos e información. Pero no. Lo que publicitan ese día (hoy) son dos relanzamientos de libros, algo que se supone está prohibido hacer en la feria". Eduardo Castro, "decano" de los editores chilenos, hoy a cargo de Universitaria y miembro de la asociación, propone: "Debiéramos trabajar juntos en organizar la feria. La Cámara, probablemente por celos, no quiere. Aunque cada vez somos más y probablemente después esto cambie".

Slachevsky va más allá. "Los stands de los más grandes son más baratos que los nuestros, muchísimo más baratos. Esto hace que para una editorial chica sea imposible lograr que sea rentable, pues debería vender más de cinco millones de libros".

En la Cámara cuesta conseguir explicaciones sobre las cifras. De partida, porque no entregan números. Eduardo Castillo dice que no sabe cuánto cuesta el stand más caro. Después dice que sabe, pero no se acuerda. Cuando se le pide que se aventure con un número para ir teniendo una idea, se encoge de hombros y larga: "Deben ser 3 millones de pesos o tres millones y medio". Y no. Son más de 7 millones (a la UF de anteayer, 7.138.000 pesos), al menos el doble de lo que cuesta el alquiler mensual de un local similar en un mall.

"Para nosotros lo importante es no perder plata", cuenta Marilén Wood, gerente de Ediciones B, una de las grandes que paga sobre los cinco millones de pesos por sus metros cuadrados. "Pero la feria no es un negocio, porque son altos los costos. Nosotros vamos porque no podemos no ir, hay una presencia que marcar". La contabilidad en Alfaguara indica que allí hacen el 1% de las transacciones anuales de la empresa. Y es que Santiago no es Frankfurt, pero tampoco Buenos Aires, ni Bogotá. La feria es, cuando más, la fiesta popular; nunca la plataforma de negocios.

La relación del libro con la industria nunca ha sido fácil y menos en el país de poetas. El tamaño del mercado, la baja lectoría y la eterna esperanza en esa suerte de paraíso que supondría la excepción tributaria hacen que el diálogo tenga tono de queja. Más alta, cuando pareciera que la Cámara no está trabajando para todos y que siempre sale de ésta con cifras azules. Castillo argumenta que lo de ellos no es lucrar, pero que necesitan sacar dividendos para financiar la actividad de esta organización gremial que organiza ferias del libro a lo largo de todo Chile.

Alejados de las estrellas

"Somos un mercado pequeño para los autores globales", reflexiona Pablo Simonetti, escritor chileno de éxito internacional y el más solicitado "firmador" de libros del recinto, al ser consultado por la baja presencia de figuras destacadas de la narrativa internacional. "Por lo común en Latinoamérica, los grandes del habla hispana van a Guadalajara, a Buenos Aires y, en contadas ocasiones, a Bogotá. Los europeos cruzan el Atlántico o los norteamericanos bajan del Río Grande muy rara vez. Si queremos tenerlos aquí, tendríamos que colgarnos de sus visitas a la Feria del Libro de Buenos Aires (cualquier autor de éstos vende al menos cinco veces más en Argentina que en Chile y tiene una tribuna más visible), u organizar un festival literario, como se hace en otras ciudades (el Festival en Cartagena de Indias o el Festival de Paratí en Brasil). Allí los autores dan recitales, se cobra entrada, no se venden libros y el Estado, en conjunto con las editoriales y los auspiciadores, financian lo que haga falta para traerlos. El énfasis estaría puesto en la celebración de la literatura y no, como ocurre en todas las ferias del libro del planeta, en el legítimo incentivo de las transacciones comerciales. ¿Podría esta feria adquirir un carácter híbrido feria-festival? Tal vez, pero habría que meterse la mano al bolsillo", resume Simonetti.

Por ahora seguirá siendo "la feria más antigua de Chile", como la describe Castillo.

Algunas recomendaciones de libros en la Feria

A decir verdad, esta versión de la Feria se ha mostrado bastante escasa en ofertas, quizá porque las grandes editoriales han estado liquidando antes de este "carnaval" de los libros. Con todo, siempre es posible encontrar cosas baratas, además de reediciones de libros que estaban descontinuados y otros que, sin ser estrictamente novedades, son lecturas atractivas. Aquí van algunas recomendaciones.

Biografía: Gitta Sereny "Albert Speer"

Editorial Vergara, $15.000

Reedición de la monumental biografía de Albert Speer, el arquitecto y luego Ministro de Armamento de Hitler, uno de sus más importantes hombres de confianza. Destacado jerarca nazi, fue uno de los pocos que manifestaron remordimiento y se declararon, de modo ambivalente, culpables. Juzgado en Nüremberg fue condenado a 20 años de prisión.

Oferta: Eduardo Gil Bera "Baroja o el miedo"

Editorial Península, $3.000

Partiendo de la base que todas las biografías existentes sobre Baroja daban por verdad lo que él mismo contaba en sus memorias, Gil Bera, en su documentadísimo y a la vez personal libro, se dedica a desarmar el mito del escritor destacando su principal característica: la cobardía.

Instantáneas: John Berger "Fotocopias"

Editorial Alfaguara, $9.900

Otra recopilación de los textos inclasificables (¿cuentos, ensayos, reflexiones?) del imprescindible John Berger. Presenta en este libro 29 momentos o encuentros o instantáneas, deteniéndose en los detalles (personas, animales, flores, objetos cotidianos) de lo que ve o de las historias que otros, durante sus viajes por Europa, le cuentan.

Ensayo: Walter Mignolo "La idea de América Latina"

Editorial Gedisa, $15.200

En la estela de los estudios poscoloniales, Walter Mignolo lleva a cabo una suerte de manifiesto sobre la idea de "latinidad", siguiéndola desde su nacimiento en Europa hasta hoy, pasando por su apropiación por la élite criolla de América del Sur y el Caribe hispano en el siglo XIX.

Entrevista a André Chermont de Lima

El agregado cultural de Brasil, país invitado a la Feria del Libro, invita a descubrir autores tan esenciales como Rubem Braga, Graciliano Ramos y Vinicius de Moraes.

-¿Qué clásicos recomendarías a quienes se sorprendieron con Machado de Assis?

Él es sin duda el escritor esencial para quien quiere conocer la literatura brasileña, aunque tenemos grandes poetas en el siglo XIX, como Gonçalves Dias y Castro Alves, quien hizo una importante contribución a favor del abolicionismo con su poema "Navio Negrero". Pero, como la música, nuestra literatura alcanzó su madurez a comienzos del siglo XX, con Graciliano Ramos y Guimarães Rosa en narrativa, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira y João Cabral de Mello Neto en poesía.

-¿Quiénes deberían tener mayor presencia en el mercado de habla hispana?

Vuelvo a Graciliano Ramos, dueño de una literatura áspera, directa y de una fuerza extraordinaria. También Nelson Rodrigues, nuestro mayor dramaturgo, un artista destacado, pero al mismo tiempo accesible. Muchas de sus piezas de teatro y cuentos han sido adaptados para la televisión y el cine. Y hay que destacar a Vinicius de Moraes, compositor mundialmente famoso, pero que nadie conoce como poeta.

-¿Cuál es el sitio que ocupa Jorge Amado en la literatura brasileña?

Es un escritor que despierta mucha simpatía. Sus libros publicados entre los años 30 y 60, como Tierras del Sin Fin y Gabriela, Clavo y Canela son bellos retratos de una Bahía carnavalesca, medio exótica, pero llena de injusticias. Creo que Amado se repitió un poco al final y las adaptaciones para la televisión agotaron, en parte, el interés del público. Otro escritor de Bahía, João Ubaldo Ribeiro, tiene un libro extraordinario, Viva el Pueblo Brasileño, publicado por Tusquets y disponible en la Feria del Libro. Algunos trechos de ese libro, como el que narra a los caníbales devorando a los holandeses en el siglo XVI, son inmejorables.

En Brasil no se discute que la crónica tiene calidad literaria. ¿Quiénes son las principales figuras?

A fines del siglo XIX y principios del XX, Lima Barreto escribía unas crónicas memorables. Más tarde fue el turno de Rubem Braga, quien vivió en Chile y escribió sobre su estadía acá. Nelson Rodrigues, a su vez, es el mayor cronista deportivo de Brasil. Sus páginas sobre fútbol son obras de alta calidad literaria.

EN CIFRAS

100 presentaciones de libros

760 sellos editoriales

Más de 60 invitados extranjeros de 15 países

300 actividades paralelas entre charlas, conciertos, debates, ciclos de cine y espectáculos infantiles

1.500.000 libros en exhibición

$ 1.000 la entrada de lunes a jueves

$ 2.000 viernes a domingo

230 mil visitantes espera la Cámara Chilena del Libro

150 expositores

15 expositores agrupados en la Asociación de Editores de Chile ofreciendo un 19% de descuento en cualquier compra

2 veces más pagan, proporcionalmente, los stands pequeños a los grandes

http://diario.elmercurio.com/2007/10/28/artes_y_letras/_portada/noticias/D2C00F8D-DCD3-41B1-A5EE-7E7406B0DE8B.htm?id={D2C00F8D-DCD3-41B1-A5EE-7E7406B0DE8B}

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O Brasil na Visualidade Popular João de Jesus Paes de Loureiro




"O Brasil na visualidade popular"



A exposição "O Brasil na Visualidade Popular" – exibida ao público durante o último trimestre de 2000 no Museu de Arte da Pampulha – "reúne objetos inusitados, produzidos neste último século pelo povo brasileiro. Com intenção artística ou não, eles nascem sempre movidos pelo desejo de celebrar o Brasil. Que Brasil? O Brasil de seu mito fundador de que fala Marilena Chauí: um conjunto de propriedades míticas, construídas ao longo de sua história e consolidadas pelo positivismo e pelo o ufanismo da virada do século 19 para o 20", explica o artista plástico e pesquisador, José Alberto Nemer, no texto de apresentação da mostra.
Nemer que assina a concepção e a curadoria da exposição, conclui: "O fato é que, através desses objetos, pode-se ver um outro Brasil, com o frescor que se reinventa todos os dias e com o humor de que precisamos sempre. São bandeiras, paisagens, santos e alvoradas. Mitos nacionais. São também, e sobretudo, as cores verde e amarela, que desde criança acreditamos representarem matas e ouro. Nessa celebração, não estará o povo rompendo a exclusão com a força da poesia?"
Registramos a exposição "O Brasil na Visualidade Popular" reproduzindo aqui o ensaio "Vitrais do Brasil", do professor João de Jesus Paes Loureiro.
Uma forma de se compreender a expressão estetizada que há na visualidade popular brasileira, na recriação plurissignificante dos símbolos nacionais, especialmente através de cores e formas, é segundo o conceito da estética do vitral. No vitral, a sua aparência estetizada vem atravessada por uma luz de outra significação que a ela se incorpora. O conjunto dessa expressão popular, principalmente nas efêmeras manifestações de plasticidade nos movimentos coletivos, como nos estádios de futebol, tornam-se imensos vitrais de sentimento estetizado de nação. São pedaços de cores, como nos vitrais, que vão compondo a trama cromática de verde, amarelo e azul, atravessada por essa luz simbólica. Essa luz, penetrando a transparência estética desses imensos vitrais nos estádios, nas manifestações públicas, nas feiras, na arte popular, pode ser entendida mesmo como o sentido da nacionalidade, que acentua a dimensão estética do estar juntos, propiciando uma forma de educação da sensibilidade para a imagem de nação. No entanto, cabe acentuar, desenvolveremos estas observações na linha da reflexão alegórica ou reflexão alegorizante, deixando o espírito em liberdade e enriquecido pelo devaneio. A compreensão das cores nacionais individuais e recriadas de forma estetizante será feita no sentido de valorizar essa expressão sensível e coletiva do estar em união. Como um vitral estético atravessado pela luz de um sentimento nacional. A atenção atraída, basicamente para a exterioridade do signo cromático, organizado na estrutura fragmentária mas pregnante de um vitral. Também como nos vitrais artísticos, esses vitrais da nacionalidade estão muito ligados a um sentido espiritual mais elevado (neste caso, do espírito da nacionalidade), que originaliza sua criação coletiva e espontânea. É a forma da comunicação ampla de uma mensagem de amor à pátria não autoritária com a qual os cidadãos se identificam, na sedutora forma estetizada de expressão. Oferecem uma espécie de mensagem pedagógica de nacionalidade amorosa para almas reunidas por esse desejo, através dessa luz atravessando a aparência essencializada dos vitrais. O que esses conjuntos cromáticos glorificam são valores de nacionalidade, de uma nacionalidade individuada, efervescente, amorosa de uma alma comum, sinal de orgulho, refúgio da confiança. Mais do que estar juntos é a intuição de um ser junto, ser um corpo só, um corpo místico patriótico, talvez. Ao contemplar essas imensas policromias da nacionalidade, o olhar, como numa catedral gótica, oscila entre a percepção, ora das cores congeladas em pedaços reunidos numa forma fragmentária, ora na luminosidade que as atravessa. É o que entendemos ser o mesmo sentido que se pode perceber nos vitrais da nacionalidade de que estamos tratando. Percebemos nesses conjuntos da visualidade popular – seja nas feiras, seja na arte naif, seja nos estádios de esportes, seja nas praias, seja no carnaval – de um lado, a pregnância colorida como um verdadeiro painel de arte pública; de outro, a significação nacionalizante que atravessa o conjunto cromático.
Essa unidade na diversidade que preside o vitral é, também, o santo graal buscado pela sociedade brasileira. O Brasil é uma nação constituída por nações, por uma infinidade de relações solidárias. Há um transbordamento afetivo, uma ostentação emocional, uma envergadura passional que instrui as relações entre os homens. A mestiçagem, a mobilidade social, a plasticidade do conjunto étnico contribuem para uma necessidade espontânea de se reconhecerem como unidade. É quando o sentido do religare, do être ensemble explode em festa, em futebol, em carnaval. Abrem-se os espaços à criação configuradora desses vitrais da nacionalidade, pela combinação formadora das cores nacionais, em grandes painéis dos estádios, nas feiras, no carnaval etc. São espaços privilegiados de reunião das diferenças e, por isso mesmo, ideais para que se manifeste a força do religare, do être ensemble, do ser em unidade que essa composição plástica coletiva parece revelar.
A solicitação estética intensifica-se numa espécie de cadeia de solidariedade, cujo resultado são esses vitrais de que estamos falando. A sensação de proximidade acentua-se e multiplica-se pelas transmissões da televisão. Todos partilham sensivelmente algo da nacionalidade nessa experiência que tem fundamentos estéticos e garante e celebra a coesão de um grupo. Não é simples exibição de símbolos nacionais para a guerra ou qualquer forma de luta. É uma forma gratuita, sem finalidade prática, sem a determinação específica de um fim. É somente o pleno acontecer de algo, como de um acaso. É o simples jogo no campo das aparências significantes, sem outra razão maior que a de celebrar a glória de estar juntos, reunidos na sedutora plasticidade gótica que vem atravessada por essa luz da utopia de uma pátria imensa.
O brasileiro expressa-se essencialmente pela emoção. A racionalidade tem lugar adquirido mas não é sua dominante. O sentimento é sua razão e a lógica articula-se através da aparência reveladora de sentido e não de um cauteloso processo intelectualizador. Não racionaliza. Exprime-se. Quer ser como uma forma de estar. Mostrar-se. Ser para outro. Provocar o reconhecimento. No campo temático do qual estamos tratando, quer exibir um sentimento de nacionalidade para o outro, por via emotiva de uma esteticidade em formas e cores. É portanto, um nacionalismo dialogal e de apelo, muito apropriado à expressão estética. Uma força de expressão. Um gesto. Teatraliza cromaticamente o seu nacionalismo, sua cidadania assumida, cotidianizando símbolos e emblemas. Não é um nacionalismo sob clausulas éticas ou morais. É uma nacionalidade em liberação estética. À lógica contrapõe o instinto, a intuição. Substitui o concreto pela metáfora. Ao invés de teorizações, o impulso criador. Ao pensamento normatizado contrapõe o corpo estetizado. Ao dogmático, a sensação e o sentimento. O imaginário adquire estatuto de realidade. Curte o entusiasmo e faz do maravilhamento uma condição cotidiana de existência. Revela uma sociedade que se encanta de si mesma. Um nacionalismo dionisíaco e barroco vivido plasticamente de uma forma coletiva, exteriorizada. Uma nacionalidade que se encaminha para a festa, não para a guerra. Um nacionalismo carnal, orgiástico, apropriado a uma sociedade onde a mestiçagem se legitima pela emoção e sensualidade. O cidadão assume a cidadania estética pela espontaneidade não-formal. No corpo. Na vestimenta. Na visualização cromática da sua alma. Ela mais do que mérito ou conquista, significa festa. Celebração identificadora de uma comunidade de gosto.
Vestir-se de algum símbolo, usar alguma definida máscara, desde os tempos mais remotos era e é como tornar-se como o representado e não um mero representante. Usar no corpo as cores da Pátria é ser a Pátria. Pintar no rosto a máscara verde-amarela-azul é ser o rosto da Pátria.
Mais do que um gesto tradicional equivalente, hoje, pintar-se com as cores da nacionalidade, reproduzir os seus ícones, é como ser a nação incorporada. Uma espécie de transubstanciação ou conversão semiótica em uma substância nova de sentido. È ser emocionalmente, a Pátria. O próprio cidadão tornar-se, ele mesmo, a Pátria simbolicamente incorporada, aparecendo em momentos em que o pensamento não consegue formular juízo, mas o desejo expressa o cidadão nacional numa explosão de sensualismo em liberdade. A fantasia assume o lugar da razão. O modo de expressão deixa de ser o da racionalidade para ser o da sensibilidade afluente, a flor da pele, no modo estético da comunicação concentrada no próprio signo visual e não em um discurso derivado. O signo é a própria linguagem codificada da alma. O interior transfigurado em exterior. Dá-se forma visível a um sentimento de união, de coletividade emocional brasileira. Uma ânsia de orgulho nacional civil que heroiciza o desportista, o artista popular, a própria população neles representada.
O interessante é que esses símbolos patrióticos, visuais, da Nação, arrancados de seu lugar, formal e cerimonial, investem-se de uma dignidade imprevista, não mais solitária mas solidária, sob esse impulso do être ensemble que o estético tem na sua dimensão societal ou societária. As cores e os símbolos (por exemplo, como as colunas do Palácio da Alvorada, em Brasília) são exaltados de maneira inusitada, investindo-se de significado luminoso. Adquirem, nesse deslocamento de local simbólico, uma dimensão inquietante que fascina e provoca estranhamento. Incorporam dois extremos, realismo e abstração. Extremos que também estão presentes em toda arte através dos tempos.
Percebe-se que esta forma exterior de expressão tem uma ressonância interior, um sentimento de necessidade espiritual do estar juntos como nação, que coincide exatamente com a reflexão de que estamos falando da estética de vitral (concreto e imaginário), se considerarmos a reunião dessas cores nacionais nas feiras, nos estádios, nas manifestações da cultura popular.

Nesses espaços – estádios de futebol, feiras culturais, festas, visualidades populares -, essas manifestações cromáticas dos signos nacionais podem ser vistos como instalações públicas (conjugando-se os conceitos de instalações e de arte pública). Não representam as manifestações cívicas clássicas de campos de batalha, nas lutas de fronteiras, nos campos de revolta. Essas instalações públicas, em que a criatividade organiza painéis cromáticos pelos quais transparece a luz de um sentimento de nacionalidade brasileira, acontecem nos campos de futebol, nos espetáculos de arte popular, nas praias, nos comícios. Uma forma de acontecer semelhante ao lúdico. A Bandeira do Brasil pode estar desenhada no rosto de estudantes ou na parte do bumbum não coberta pelo biquíni. Um lúdico social naturalmente espontâneo, mas não gratuito. Um gesto identitário formalizado como jogo, com graça e invenção.
A corrente social é religada num momento de prazer que, de imediato, assume uma taxinomia não marcada. Na sua simplicidade aparente esconde-se a complexidade fantástica das relações sociais e na expressão do individual convertido em comunhão. A importância da aparência revela-se nítida nesse cotidiano que bem poderia ser banal e cortejado pelo efêmero, pura excitação do supérfluo, banal repetição de algo já visto.
A corrente social é religada num momento de prazer que, de imediato, assume uma taxinomia não marcada. Na sua simplicidade aparente esconde-se a complexidade fantástica das relações sociais e na expressão do indivíduo convertido em comunhão. A importância da aparência revela-se nítida nesse cotidiano que bem poderia ser banal e cortejado pelo efêmero, pura excitação do supérfluo, banal repetição de algo já visto.




No entanto, esse ludismo social encarnado no cotidiano, ou cotidianizado, não acontece ali por acaso. Está sustentado por sua imanência, uma vez que é ludicamente que a sociedade se expressa. Esse jogo repete factualmente uma ordem social relativa, ao sentimento de nação e cidadania. É uma expressão efervescente de um estereótipo que se converte em arquétipo. É uma forma de consistência social que escapa à lógica do racional e do verdadeiro. Um gesto de alta significação, cuja importância é necessária que cada vez mais se reconheça e se compreenda. É uma retórica popular que faz circular um sentimento portador de idéias através desses símbolos e ícones nacionais reinventados ludicamente pelo sentimento convertido em forma. Estéticos, portanto. Algo semelhante a uma oratória visual cuja justificação está em uma poética ainda não formulada, em que se reúnem o concreto e o simbólico, o trivial e o fantástico, o monótono e o excepcional. Nota-se nessa visualidade popular nacional a retórica de um gesto social-humano de compensação da individualidade numa paixão visual insaciável.
A sociedade brasileira confere importância retórica à aparência na vida cotidiana. Daí para o jogo é um passo. Uma cidadania lúdica, cheia de excitação, intensidade e livre reprodução. Como a encarnação de um ludismo cotidiano transformado em expressão de uma sociedade que através dele se revela, diz de si, abre-se ao mundo, independente de um condicionamento normativo. A expressão mais simples pode adquirir a dimensão essencial de um desejo, de um querer ser. Essa pequena e delicada trama tecida de fios aparentemente insignificantes pode, ao acaso, a aranha do símbolo que, presa num ponto de tensão, passa a fazer convergir para ele todas as linhas de força dessa trama, conferindo uma ordem simbólica nascida por acasos de um acaso. De repente, o verde, o amarelo, o azul mais banais soltos na luz do dia-a-dia revelam-se como sendo o gesto de uma sociedade inteira em ação, em ato, em presença.
É uma retórica popular em funcionamento, quando a nacionalidade é incorporada e expressa na forma de um sentimento estético coletivo. Um gesto com a liberdade barroca de se mostrar identificador.
Com essa atitude de manifestação do sentimento de estar juntos na identidade de uma nação, os signos e ícones nacionais deixam de ser reverenciados e distantes, para se tornarem signos incorporados, vestidos, investidos de uma legitimidade pessoal, humana. São incorporados em um mesmo corpo místico nacional, pisando o mesmo chão, fantasiado de uma cidadania de sonho e desejo. São como instalações de arte pública, portanto, em que os cidadãos reunidos são suportes e símbolos de um acontecer estético da expressão da alma nacional. Uma espécie de uma epifania numinosa do eu brasileiro. Não é como enrolar-se na bandeira, quando ela se torna uma espécie de armadura que define no espaço singular o território de um país. É um tornar-se Brasil, pintar-se Brasil. Uma transubstanciação como nos rituais sagrados. Um manismo ancestral resgatado quando o representante é o próprio ser que ele representa. A imagem é a própria realidade, indistinta, singular, única. Um ser brasileiro que talvez seja diferente de ser nacionalista



Há uma gratuidade no uso das cores-ícones nacionais pela população. De certa maneira é uma forma de epifanização da alma de um eu brasileiro ostentado exteriormente na modalidade de uma cívica alegria. O estético como valor de sociedade, gesto de uma emoção compartilhada, a nacionalidade como expressão celebrante e não como celebração protocolar oficializada.
Ao investir-se das cores nacionais, num gesto incorporativo da nacionalidade, a dimensão ética converte-se em sinal estético, no qual a sensibilidade impera. Passagem do ético para o estético, conversão da aparência em essência. A imagem das cores – o verde, o amarelo, o azul – segue uma espécie de suspensão redobrada, isto é, percebe-se a substancialidade da coisa material e, ao mesmo tempo, o fenômeno da idealização. O fenômeno da representação acaba sendo a substancialidade da coisa, a imagem torna-se a realidade de um fenômeno. Os ícones sofrem uma metamorfose do em si de signos da nação em signos para nós, para nosso olhar. Uma conversão semiótica de signos nacionais em signos estéticos, embora remetam a nacionalidade. Como manifestação da aparência de ordem fenomênica, essas imagens fazem a emoção adquirir um sentido. A presença de uma ausência.
Essas imagens são o ponto de conexão entre as ordens do real e de uma aparência na qual a beleza repousa. Não são uma simples reprodução de realidade dada. São vias que levam a uma visão objetiva das coisas e da vida humana. São a revelação sensível de uma realidade interior, através da intensificação do real. Claro que, nas representações elas devem compor a unidade que configure uma forma em que as unidades componentes devam ser percebidas como separadas, dentro de uma coesão visual. Uma coesão visual geradora de equilíbrio e harmonia, contida em condições de fechamento, garantindo a pregnância da forma.
Entre o azul e o amarelo: o verde. O cálido. A esperança. O reino vegetal. O despertar das águas primordiais. O desabrochar da vida. Envolvente, tranqüilizante, refrescante, tonificante. Cintilação de esmeralda. A cor mais calma. O frescor do botão da primavera. O musgo do mofo. O verde submerso no destino.
O amarelo em fusão dos minérios. Raio de sol do olhar de um deus. Luz do ouro. Carruagem da juventude, do vigor, da eternidade divina. Cor do empírio. Cor da terra fértil. Cor das espigas maduras do verão. Cor divina e terrestre. Cor resplandecente na fogueira.
E a mais profunda das cores. O azul. O infinito do olhar. Perpétua fuga da cor. Transparência pura dos vitrais do infinito. Caminho do eterno. Mensagem do imaginário. Cor do pássaro da felicidade. A cor azul e mais que azul da terra azul.

VERDE-AMARELO-AZUL
BRASIL NA PONTA DA LÍNGUA DO PINCEL.
ALMA EXPOSTA DE UM PAÍS SONHADO
CORES DE UM VITRAL
DA OCULTA CATEDRAL QUE É UMA NAÇÃO
NA ALMA DO POVO


João de Jesus Paes Loureiro, poeta e ensaista, autor de "Cultura Amazônica, Uma Poética do Imaginário", é presidente do instituto de artes do Pará.

Fotografias de Eduardo Eckenfels - exceto a da bandeira no portão em Diamantina , que é de José Alberto Nemer - originalmente publicadas no catálogo da exposição "O Brasil na Visualidade Popular".