domingo, 30 de março de 2008

histórias de crianças



Fotógrafo:
Renato Spencer

Descrição:
Série do JC vai mostrar até amanhã histórias de crianças como Manrique Mendes, de 8 anos, o Tiquinho, que, exploradas, trocam as brincadeiras da idade por pesadas marretas e viram mão-de-obra barata e farta.
http://www.jcimagem.com.br/

Violência!


A violência não para, e perdemos de vez o rumo!!!!!!!!!!!!!A violência é um fato corriqueiro, a guerra civil, já não se anuncia , se vive.
Paulo a c v



Dor e emoção marcam enterro de professor morto na Bahia
Publicado em 30.03.2008, às 14h39


Esposa chora na despedida ao professor





Do JC OnLine

Dor e emoção marcaram o enterro do professor pernambucano João Francisco de Souza, da Universidade Federal de Pernambuco, neste domingo, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Familiares, ex-alunos, professores e pesquisadores foram prestar o último adeus ao mestre, que foi assassinado na última quinta-feira, numa tentativa de assalto enquando estava hospedado na casa de um amigo, na Bahia.

O corpo do docente foi velado durante toda a madrugada, no Centro de Educação da UFPE. Na manhã deste domingo, no mesmo local, foi realizado um culto ecumênico, antes de ser levado ao cemitério. Na última sexta-feira o reitor da UFPE, Amaro Lins, decretou luto oficial de três na Universidade, devido ao falecimento do professor.

João Francisco de Souza, que tinha 63 anos, era coordenador do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação de Jovens e Adultos (Nupep) desde 1994 e vice-presidente do Centro Paulo Freire de Estudos e Pesquisas. Foi diretor do Centro de Educação de 1997 a 2001. Admitido na UFPE em 1978, João Francisco era professor titular desde fevereiro de 2007, após realizar novo concurso público. O docente deixa viúva, três filhos e um neto.

CRIME - De acordo com a polícia, João Francisco de Souza estava hospedado na casa de um amigo quando três homens invadiram a residência. Os bandidos teriam percebido uma tentativa de fuga do professor e atiraram duas vezes contra ele, que foi baleado no peito

Panelinha" nas universidades provoca fuga de cérebros na Itália

Panelinha" nas universidades provoca fuga de cérebros na Itália

Elisabetta Povoledo
Em Lucca, Itália

Após cinco anos na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, onde está prestes a obter um Ph.D. em economia, Ines Buono, está pronta para voltar para casa.

Ela deseja lecionar e buscar seus interesses acadêmicos, que incluem o estudo do possível impacto do ingresso da Turquia na União Européia, mas o mercado de trabalho acadêmico estagnado da Itália oferece poucas perspectivas para uma pesquisadora de 30 anos.

Controladas por um grupo seleto de velhos acadêmicos, as torres de marfim na Itália são tão bem defendidas quanto o Forte Knox, mas sem o ouro.

Entre as poucas exceções: uma bolsa de pesquisa no Institutions, Markets and Technologies Institute for Advanced Studies (IMT), uma escola internacional de doutorado aberta em 2005, que visa fazer o que lugares tradicionais de ensino superior na Itália não conseguem: atrair os melhores acadêmicos para a Itália. Buono, presente na curta lista após uma seleção rigorosa, era uma entre os 301 acadêmicos que disputavam uma única vaga para jovem pesquisador oferecida pela universidade.

"Em parte é pessoal, eu quero me estabelecer", disse Buono, cujo namorado vive perto dali, em Florença. "Mas também sou uma pessoa positiva e ativa e gostaria de dar minha contribuição, por pequena que seja, ao meu país." Mas no final Buono não conseguiu a vaga.

O fato de tantos jovens acadêmicos se candidatarem a um programa que tem apenas três anos de idade "é surpreendente e deveria ser motivo para reflexão", disse Fabio Pammolli, o diretor do IMT, sobre as mais de 800 pedidos que a escola recebe anualmente, tanto de italianos quanto estrangeiros.

"A Itália não possui um modelo para formação de uma elite acadêmica", ele disse. O IMT, que oferece programas de Ph.D. em ciência política e social, economia e ciência da computação, "trabalha fora do sistema universitário tradicional na Itália e é o motivo para ser capaz de experimentar", ele disse.

Em grande parte, as universidades italianas -com funcionários e alunos em excesso e recursos insuficientes- são freqüentemente retratadas pelos críticos como eixos de venda de influência em vez de bastiões do conhecimento.

Os candidatos para as eleições parlamentares de 13 e 14 de abril prometem reformas estruturais e um aumento das verbas para pesquisa universitária, mas os críticos estão céticos. "Todos dizem que vão investir mais, mas quando chegam ao poder, ninguém mais fala das universidades porque o dinheiro não está disponível", disse Mariano Giaquinta, um professor de matemática da renomada universidade Scuola Normale Superiore, em Pisa, e co-autor do livro de 2006, "Ipotesi sull'Università" (uma hipótese sobre a universidade), sobre os problemas da academia italiana.

O desinteresse geral da classe política em relação às questões do ensino superior tem amplas repercussões.

"Todos dizem que para melhorar a economia da Itália é preciso que haja mais investimento em educação e treinamento. Eles dizem que a pesquisa é o motor da inovação que permitirá que a Itália entre em um sistema tecnológico do qual atualmente não faz parte", disse Alberto Civica, um dirigente do sindicato UIL. "A Itália não é competitiva quando se trata de tecnologia, aqui tudo gira em torno dos serviços."

Na quinta-feira, Civica e algumas poucas dezenas de pesquisadores realizaram uma manifestação no Ministério dos Assuntos Públicos em prol de uma maior estabilidade no emprego. "Nós vemos uma constante redução das verbas para universidades e pesquisa, eles dizem que é importante mas fazem o oposto", disse Francesco Sinopoli, um manifestante.

Com o dinheiro para as universidades secando, os italianos têm explorado diversas fontes em busca de recursos. Quando o Conselho Europeu de Pesquisa começou a alocar doações para os pesquisadores universitários no ano passado, os italianos submeteram o maior número de pedidos.

"Se tantos pesquisadores recorreram à Europa é porque na Itália eles contam com recursos magros, em comparação aos seus colegas alemães, holandeses e franceses", escreveu Salvatore Settis, diretor da Scuola Normale Superiore, em um editorial no "La Repubblica" em janeiro. A verdade amarga: a Itália "não é um ambiente de pesquisa atrativo, nossos maiores talentos não têm fé em seu país, os estrangeiros não consideram a Itália uma opção", escreveu Settis.

Uma conseqüência do sistema aqui é o constante êxodo dos melhores estudantes para o exterior.

Rastrear os universitários graduados que se mudam para o exterior não é exatamente uma ciência exata, mas números da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que quase 50 mil pessoas com formação superior trocaram a Itália por outros países da OCDE nos últimos dez anos.

Sucessivos governos italianos implantaram vários programas para conter a fuga de talentos, mas as propostas apresentadas não ofereciam segurança a longo prazo e no final fracassaram.

O centro do problema, concordam os críticos, é que no mundo acadêmico, mérito e excelência ficam em segundo plano diante da promoção dos interesses da base de poder de alguém.

"O processo seletivo é bloqueado", sem verdadeira competição, "e aqueles que são contratados não são necessariamente as melhores pessoas para os postos", disse Giovanni Floris, que escreveu no ano passado um livro sobre o desdém da Itália pela noção de meritocracia. "No final, é uma casta que não se diferencia" porque os professores escolhem seus favoritos, ele disse.

E é uma casta antiga. Dos 15.984 professores titulares que trabalham nas universidades italianas, apenas 13 têm menos de 35 anos, segundo números do governo publicados pelo jornal "Corriere della Sera", de Milão. Mais de 30% têm mais de 65 anos. Ao todo há 61.930 professores -tanto titulares quanto assistentes- e pesquisadores trabalhando nas universidades italianas, mas 17.919 deles não possuem estabilidade e estão aguardando por uma cadeira de titular.

O problema fundamental permanece. Escolas como o IMT, assim como um punhado de outras, "podem produzir pessoas de qualidade, mas o problema é que elas têm um futuro bastante complicado" na academia italiana, disse Giaquinta. "A verdadeira questão é o que fazer com estas pessoas em uma situação onde há poucos escoadouros para excelência. Se não existem, então o que você pode fazer?"

Tradução: George El Khouri Andolfato

Visite o site do International Herald Tribune

O QUE SERÁ ISSO? Novas faculdades se instalam em shoppings

O QUE SERÁ ISSO?
ASSUMIR A CONDIÇÃO DE MEGA COMÉRCIO, OU APENAS SEGURANÇA, SERÁ???????????????????????????????????????????????????????????


Novas faculdades se instalam em shoppings
Só na região metropolitana do Rio, há pelo menos 9 instituições do tipo; em SP, movimento começou no ano passado

Para estudantes, segurança aparece em 1º lugar entre conveniências, além da infra-estrutura, que possivelmente não teriam em um campus

RICARDO WESTIN
DA REPORTAGEM LOCAL

Daqui a duas semanas, o shopping Light, no centro de São Paulo, deixará de ser apenas um espaço de compras e de alimentação. No dia 15, no quarto andar, será inaugurada a mais nova unidade da Universidade Guarulhos. Os alunos serão acomodados em cinco salas de aula, ao lado de lojas de roupas e tênis e bem embaixo da praça de alimentação.
Aos poucos, faculdades e universidades instaladas em shoppings deixam de ser novidade no Brasil. Só na região metropolitana do Rio, há pelo menos nove instituições assim.
Na cidade de São Paulo, o movimento começou no ano passado. No segundo semestre, a UniSant'Anna abriu um campus no terreno do shopping Aricanduva, na zona leste. Meses antes, a Unicapital havia dado início às suas atividades no quinto andar do shopping Capital, no bairro da Mooca, também na zona leste.
Para os alunos, estudar dentro de um centro de compras traz uma série de conveniências. A segurança aparece em primeiro lugar. Podem estacionar os carros dentro dos shoppings, sem precisar sair à rua. Os corredores são vigiados por fortes esquemas de segurança.
"O aluno fica menos exposto à violência da cidade. Isso pesa muito", diz Marcelo Campos, um dos diretores da Estácio Participações, que controla a Universidade Estácio de Sá.
Outra vantagem é a infra-estrutura que os alunos possivelmente não teriam num campus tradicional. No salão de beleza do shopping Capital, os estudantes da Unicapital têm 10% de desconto no corte de cabelo.
Nesse mesmo shopping, na noite da quarta passada, a estudante de estatística Bruna Takata, 24, tomava café no primeiro piso enquanto esperava a hora de subir para a próxima aula. "Às vezes faço compras antes da aula. Já mandei fazer óculos aqui", ela diz.
Emanuela Santana, 21, que cursa gestão em recursos humanos na UniSant'Anna do Aricanduva, é vista com freqüência nos corredores do shopping. "Se chego mais cedo, aproveito para pagar as contas no caixa eletrônico e dar uma olhada nas livrarias", diz ela.
Shoppings atraem naturalmente linhas de ônibus e metrô. Ainda no quesito transporte, os alunos podem usar o estacionamento sem pagar nada.
Em novembro, a Faculdade Interamericana de Porto Velho começará a funcionar num shopping da capital de Rondônia. Aguardam-se inaugurações em Maceió e Belo Horizonte. No Rio Grande do Sul, a Ufpel (Universidade Federal de Pelotas) terminará um novo campus até meados do ano. Ao lado, meses depois, será aberto o shopping Anglo. Um dos acionistas do shopping é a fundação de apoio da universidade, que se comprometeu a investir o lucro do empreendimento nas atividades da Ufpel.
BY http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3003200816.htm

quarta-feira, 26 de março de 2008

Andy Warhol lidera a lista dos artistas "mais valiosos" do mundo em 2007


Andy Warhol lidera a lista dos artistas "mais valiosos" do mundo em 2007
Segundo Baudrillar"(apud Pessoa, web) em Duchamp, há ainda chama de “utopia crítica”
e um certo “lirismo”....mas é com com Andy Warhol, principalmente na série das polaróides —Celebrites and self-portraits —, que o auto-retrato surge como um tema
equivalente a qualquer outro. Sua auto-imagem, a lata de sopa Campbell’s ou
a Marilyn Monroe possuem o mesmo significado ou nenhum significado.
Warhol, segundo Baudrillard, “é o primeiro a introduzir no fetichismo
moderno, no fetichismo transestético, o fetichismo de uma imagem sem
qualidade, de uma presença sem desejo”É com Andy Warhol, principalmente na série das polaróides —Celebrites and self-portraits —, que o auto-retrato surge como um tema
equivalente a qualquer outro. Sua auto-imagem, a lata de sopa Campbell’s ou
a Marilyn Monroe possuem o mesmo significado ou nenhum significado.
Warhol, segundo Baudrillard, “é o primeiro a introduzir no fetichismo
moderno, no fetichismo transestético, o fetichismo de uma imagem sem
qualidade, de uma presença sem desejo”(Pessoa:web http://64.233.169.104/search?q=cache:CaZjxBJsW00J:poseca.incubadora.fapesp.br/portal/bdtd/2006/2006-me-pessoa_helena.pdf+warhol+e+baudrillard&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=9&gl=br)-Helena G R Pessoa)O fato é que o artista, Warhol ainda representa as rupturas mais recentes destes tempos nossos e que se traduz por uma estética nova ausente de um lirismo, ou com um outro da sociedade de consumo, e de umaidentidade dispersa.
Paulo a c Vasconcelos

Andy Warhol lidera a lista dos artistas "mais valiosos" do mundo em 2007
GUSTAVO MARTINS
Da Redação

"Green Car Crash", de Andy Warhol, leiloado por US$ 64 milhões em maio

Quadro mais caro de 2007, "White Space", de Mark Rothko, foi vendido por US$ 65 mi
VEJA IMAGENS DOS ARTISTAS MAIS VALIOSOS DO MUNDO
Pela primeira vez na década, a soberania do espanhol Pablo Picasso no mercado de arte foi interrompida. De acordo com o site especializado Artprice, que anualmente divulga a lista dos artistas que mais venderam obras em leilão, o novo líder é o norte-americano e guru da pop art Andy Warhol, cujos trabalhos movimentaram em 2007 um total de US$ 420 milhões. A soma supera em US$ 101 milhões o valor obtido pelas obras de Picasso, segundo lugar na lista.

A vitória de Warhol - que no ano passado ficou em terceiro lugar, movimentando "apenas" US$ 200 milhões - é reflexo de uma mudança no "gosto" do mercado de arte mundial, que, como as bolsas de valores, coloca em "alta" ou "baixa" determinados criadores ou movimentos artísticos.

As obras impressionistas, especialmente as de Auguste Renoir e Claude Monet, foram as mais valorizadas em leilões durante a década de 90, segundo o Artprice. Após o ano 2000, Pablo Picasso e Gustave Klimt lideraram a "alta" de obras do período moderno. Essa tendência se manteve predominante até o ano passado, no qual uma explosão da arte contemporânea fez o movimento total dos leilões subir 44%, atingindo a impressionante marca de US$ 9,2 bilhões em obras vendidas.

Além de Warhol, os grandes puxadores desse crescimento foram o irlandês Francis Bacon e o letão Mark Rothko. Bacon é um dos pintores mais valorizados do momento, tendo saltado da 19ª posição em 2006 para a terceira em 2007, com um total de US$ 245 milhões em vendas. Já Rothko foi responsável pela obra mais cara leiloada em 2007, o quadro "White Center", cujo martelo bateu para uma oferta de US$ 65 milhões.

Veja a lista dos dez artistas "mais valiosos" de 2007:

1º lugar: Andy Warhol, US$ 420 milhões
No ano de 2007, Warhol reafirmou seu status de grande vendedor em volume, com 74 obras arrematadas por mais de US$ 1 milhão. E em valor unitário também: o recorde do artista, que há oito anos era de "Orange Marylin" (US$ 15,75 milhões), foi vistosamente batido em maio por "Green Car Crash", adquirido na Christie's de Nova York por US$ 64 milhões.

2º lugar: Pablo Picasso, US$ 319 milhões
Apesar de ter vendido US$ 20 milhões a menos que em 2006, Picasso ainda está longe de poder ser considerado "em baixa". Com menos obras famosas à venda após quase uma década de liderança no mercado de arte, o espanhol ainda assim cravou um recorde mundial em 2007: a estátua de bronze "Tête de Femme, Dora Maar" foi vendida em novembro, na Sotheby's de Nova York, por US$ 26 milhões, o maior valor já pago por uma escultura em leilão.


Detalhe de "Estudo para o Papa Inocêncio X", de Francis Bacon
3º lugar: Francis Bacon, US$ 245 milhões
O preço médio das obras de Francis Bacon triplicou em dez anos, com uma ascensão ainda mais acentuada em 2007. Sua performance no ano foi excepcional por conta da grande quantidade de telas postas a leilão: treze, contra uma média que variou de duas a sete entre 1997 e 2006. Sete delas ultrapassaram a marca de US$ 10 milhões na oferta final, a maior delas feita para "Estudo para o Papa Inocêncio X", em maio na Sotheby's de Nova York - US$ 47 milhões, novo recorde para o artista.

4º lugar: Mark Rothko, US$ 207 milhões
Os proprietários de quadros do pintor se beneficiaram largamente do "boom" contemporâneo no mercado de arte em 2007. Além do "White Center", de 1950, venda mais cara do ano (US$ 65 milhões), outros cinco quadros do pintor superaram a casa dos US$ 10 milhões. Com isso, outros trabalhos antes menos procurados voltaram aos leilões, como desenhos em papel e telas da série "Untitled", de 1969.

5º lugar: Claude Monet, US$ 165 milhões
Para se ter uma idéia de como o mercado de artes esteve aquecido em 2007, bastaram US$ 80 milhões em vendas para que Monet ficasse em segundo lugar na lista do Artprice de 2004 - com o dobro desse valor, alcançou apenas a quinta colocação no ano passado. Em dois dias de vendas na Christie's de Londres, 18 e 19 de junho, um catálogo de trabalhos do artista foi vendido por 45 milhões de libras (cerca de US$ 84 milhões). No total, 27 trabalhos de Monet foram leiloados por valores acima de US$ 1 milhão em 2007.

6º lugar: Henri Matisse, US$ 114 milhões
O pintor francês foi outro que bateu recordes em 2007. Superando a expectativa em US$ 10 milhões, o quadro "L'Odalisque, Harmonie Bleue" foi arrematado em outubro por US$ 30 milhões, maior valor já pago por uma obra do artista.

7º lugar: Jean-Michel Basquiat, US$ 102 milhões
Mais jovem artista do ranking, o nova-iorquino foi também o que mais se valorizou em 2007, atingindo uma média de preços 480% maior do que suas obras valiam em 1998. O quadro "Warrior", por exemplo, leiloado em 2005 por US$ 1,6 milhão na Sotheby's, foi revendido na mesma casa por mais de US$ 5 milhões em 2007.

"Nymphéas", de Monet: impressionismo foi líder na década de 90 e continua em alta

8º lugar: Fernand Lèger, US$ 92 milhões
A maior venda de Lèger em 2007 foi o quadro "Les Usines", de 1918, vendido na Sotheby's por US$ 12,75 milhões (a expectativa mais otimista era de sete milhões). Outro destaque do francês foi o desenho em guache "Dessin pour Contraste de Formes (Composition II)", de 1913, vendido por US$ 4,2 milhões, um recorde para desenhos do pintor.

9º lugar: Marc Chagall, US$ 89 milhões
Assim como Picasso, a queda de três posições de Chagall na lista se explica mais pela ausência de grandes obras em oferta do que pela diminuição da procura. Em 2006, cerca de cem telas do pintor da Belarus foram a leilão, em 2007, apenas 62. Ainda assim, por conta de sua grande produção, mais de 400 trabalhos foram a leilão no ano passado, e um quadro circense de três metros de comprimento vendido em maio por US$ 12,25 milhões garantiu seu lugar no ranking.

10º - Paul Cézanne, US$ 87 milhões
Outro artista com poucas obras importantes colocadas no mercado durante 2007, Cézanne conseguiu dobrar sua marca do ano passado, quando completou-se o centenário de sua morte. Considerado por Picasso como o pai da arte moderna, o impressionista francês teve como maior venda do ano uma natureza morta de 1877, "Compotier et Assiette de Biscuits", arrematada por US$ 11,25 milhões em novembro. Bem distante de seu recorde, "Rideau, Cruchon et Compotier", leiloado pela Sotheby's em 1999 por US$ 55 milhões.
by UOL http://diversao.uol.com.br/ultnot/2008/03/25/ult4326u766.jhtm

terça-feira, 25 de março de 2008

COMEMORAÇÃO DOS 30 ANOS DO BALÉ POPULAR DO RECIFE


COMEMORAÇÃO DOS 30 ANOS DO BALÉ POPULAR DO RECIFE

28 de março às 20:30h - RECIFE

Apresentação do Documentário em Cena, Como?
de Ângelo Madureira eAna Catarina Vieira

A obra parte dos passos historicamente desenvolvidos peloBalé Popular do Recife, desde 1977 e mostra o seu processo de transformação, aolongo do tempo, através de depoimentos de seus fundadores e também de suascriações. Depoimentos inéditos contam como foi ressuscitado o galante do cavalomarinho. Vem dessa linhagem o construção da dança de Ângelo Madureira e AnaCatarina Vieira, que em Como? compartilham com o público o percurso destapesquisa.

Teatro Arraial / ProjetoReciclarte 3

Rua da Aurora, 457, Boa Vista, Recife

Gratuito

Está apresentação éuma homenagem do Projeto Reciclarte / Grupo Experimental e dos artistas ÂngeloMadureira e Ana Catarina Vieira aos 30 anos do Balé Popular do Recife.


01 de abril às 20h - RECIFE
Estréia do Espetáculo do Balé Popular do Recife “As Andanças do Divino”
Comemoração dos 30 anos de trajetória do grupo, lançamentodo livro “Balé Popular do Recife: a escrita de uma dança da jornalistaChristianne Galdino e lançamento da CD do espetáculo com sua trilha originalcomposta por Antonio Madureira.
Teatro Santa Isabel

Praça da Republica, s/n, Recife
Temporada de 2 a 6 de abril.





04 de abril às 20h – SÃO PAULO
Aula – Festa em comemoração aos 30 anos do Balé Popular do Recife.

A aula-festa foi uma estratégia criada no anode 2000 pela dupla Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira, para que todos osseus alunos e convidados se conhecessem e se encontrassem com objetivo de fazeruma aula descontraída e divertida com característica de festa. dança popular + dança contemporânea +percussão. Esta aula é para todas as pessoas iniciantes ou profissionais e afaixa etária é livre.

A aula festa é gratuita paratodos os alunos matriculados. Quem vier tocar também tem a entrada liberada,mas tem que saber o repertório do CDBrasílica Ritmos.



Preço AULAFESTA

R$ 20,00



Local daaula-festa

Espaço Ângelo Madureira e AnaCatarina Vieira

Rua Luis Murat, n.400aVila Madalena

Informações: 11 38120828/ 1196095713

www.dancacontemporanea.com.br

contato@dancacontemporanea.com.br

sábado, 15 de março de 2008

Karl Marx ainda não disse sua última palavra


Karl Marx ainda não disse sua última palavra

Jean Birnbaum

Por que continuar lendo Karl Marx (1818-1883), o autor de "O Capital"? Por causa da clareza formal dos seus textos, e da força do seu raciocínio, explica o filósofo e lingüista Jean-Claude Milner na entrevista a seguir.

Le Monde - Qual é o lugar que Marx e a sua obra ocupam no seu itinerário de pensamento?
Jean-Claude Milner - Em qual momento um estudioso resolve parar com a sua atitude de definir como único objetivo de repetir da melhor maneira possível o que já foi dito? Este momento, para mim, dependeu de Marx. A meta de escrever para si mesmo, e não para satisfazer às exigências acadêmicas, não é tão simples assim; se eu a alcancei de vez em quando - pouco importa que o resultado seja ou não digno de interesse -, foi em primeiro lugar graças a Marx.

Posteriormente, outros nomes tomaram o seu lugar, mas, no caso de Marx, foi uma prioridade, e continua sendo uma dívida para com ele. Não há dúvida de que o impulso inicial foi dado por Louis Althusser (1918-1990, filósofo marxista) foi decisiva, mas o meu interesse subseqüente se deve aos textos do próprio Marx. Eu não diria que eles me ensinaram a pensar, mas sim que eles me ensinaram que o pensamento consiste em abandonar as nossas próprias bagagens. Marx me ofereceu a oportunidade para a minha primeira "emigração filosófica". Se eu tivesse de resumir o que revelou ser mais importante e continua sendo até hoje, mencionaria o seguinte: quando o lemos como se deve, Marx nos torna especialmente sensíveis para o fato de que uma entidade não precisa mudar de natureza para operar efeitos opostos. Isso não se deve ao fato de a entidade se transformar no seu contrário; é justamente porque ela permanece idêntica a si mesma que os seus efeitos se invertem. A máquina, ao permanecer tal como ela é, pode acentuar a servidão ou gerar um princípio de liberdade. A burguesia não se torna diferente dela mesma entre o momento em que ela desencadeia as revoluções e o momento em que ela instala os conservadorismos. O capitalismo precisa ao mesmo tempo de que a mais-valia exista e que nenhum capitalista consiga compreender que ela existe.

REFERÊNCIAS

Nascido na Alemanha, em Trier (então sob domínio prussiana) em 1818, morto em 1883, em Londres, Karl Marx segue estudos de direito e de filosofia em Bonn e depois em Berlim, antes de tornar-se um jornalista cujas intervenções radicais causam escândalo. Depois de uma estada em Paris, em 1843-1845, ele encontra Friedrich Engels, com quem ele sempre continuará trabalhando direta ou indiretamente, e começa a modificar a sua maneira de abordar a filosofia, privilegiando a ação política revolucionária.

Após ter retornado a Colônia durante a insurreição de 1848, Marx se refugia em Londres, onde ele trabalha na elaboração das suas obras, sem nunca deixar de participar das lutas no quadro do movimento operário. Ele participa, entre outros, em 1864, da fundação da primeira Internacional.

Marx dedica-se a "derrubar a filosofia", destituindo-a da sua posição hegemônica em proveito da ação concreta dos trabalhadores em luta, mas sem deixar de lhe devolver a sua base material. O seu pensamento está fundamentado no materialismo histórico, que se distingue dos materialismos precedentes pelo fato de Marx levar em conta as relações de produção e de conflitos que elas engendram entre as classes sociais; e sobre a dialética, que ele emprestou de Hegel, mas que é "colocada na posição certa", isto é, aplicada ao mundo material e não apenas ao campo dos conceitos.

Esta obra complexa, evolutiva, inacabada, foi simplificada e transformada em dogma pela constituição do marxismo e pelo uso que dele fizeram os regimes comunistas. Sempre por ser descoberta, ela é constantemente objeto de julgamentos conflitantes.
Mais perto de nós, foi ao persistir em se inscrever numa mesma estrutura histórica que a Europa democrática produziu, em relação ao nome judeu, tanto a recusa do crime quanto a aceitação dos resultados do crime. Temos nisso um exemplo de reviravolta topológica da mesma ordem do que aquelas que Marx descreve e analisa. Ele recorria a uma linguagem hegeliana e à dialética. Mas isso não é nem um pouco necessário. Outras linguagens revelam-se, da mesma forma, adequadas: estou me referindo a Roman Jakobson ou a Michel Foucault. O que importa é que é preciso ter lido Marx para se dar conta disso.

Le Monde - Qual é o texto de Marx que mais o impressionou, e que mais lhe proporcionou ensinamento, e por quê?
Milner - Muitos foram os textos que me impressionaram, de uma maneira ou de outra. Entre outros, os textos do período que vai de 1840 a 1850, que são modelos de inteligência. Mas o mais completo, em minha opinião, é "Salário, preço e lucro". A nitidez da forma, a força do raciocínio, a vontade de não ceder em nada ao politicamente correto, a força explicativa diante de fenômenos paradoxais, tudo nele é admirável.

Le Monde - Em sua opinião, em que este autor encontra hoje a sua atualidade mais intensa?
Milner - Eu seria o primeiro a defender a opinião de que as doutrinas econômicas de Marx merecem plenamente o recrudescimento de interesse que as cercam atualmente. Mas isso é o mais importante? Não creio. Para a política, não se pode deixar de mencionar o preço que Marx foi obrigado a pagar por se distanciar de Hegel: a ausência de toda reflexão verdadeira sobre as instituições. Sobre o Estado, sobre o sufrágio universal, sobre os poderes, sobre o direito, não há nada em sua obra, a não ser a crítica altiva. É por esta razão que Lênin foi obrigado a improvisar - o que ele fez de maneira brilhante, em certos casos, é verdade, mas a improvisação nesses campos é proibida: ela conduziu à catástrofe.

Prefiro situar Marx em outro campo. Do lado da escrita e do lado do pensamento. Leo Strauss insistiu sobre a existência de uma arte de escrever por parte de quem é vítima de perseguição. Que seja, mas é preciso se perguntar também como os autores fizeram, depois das Luzes, lá onde todos podiam escrever a respeito de assuntos polêmicos sem temerem a perseguição. A resposta é simples: foi preciso desenvolver uma nova arte de escrever. Esta foi a mais gloriosa empreitada do século 19; os que se dedicaram a ela não são tão numerosos assim. Na língua francesa, só consigo me lembrar dos romancistas e dos poetas. Na língua alemã, Marx é certamente um dos mais importantes.

Ele praticou dois modos de escrita. Eu chamarei o primeiro de 'a corrosão do presente pela esperança no futuro' - uma categoria na qual se incluem os textos sobre a atualidade, "As lutas de classes na França de 1848 a 1850" (1850), "O 18 Brumário de Luis Bonaparte" (1852), os artigos do "New York Tribune" (1852-1862). Ou ainda os comentários ocasionais a respeito de obras literárias - estou me referindo, por exemplo, à espantosa desmontagem de "Os Mistérios de Paris" (um romance de Eugène Sue, publicado em 1842-43) em "A Santa Família" (1845). O outro modo de escrita diz respeito ao saber - o qual Marx separa explicitamente de toda esperança. Sobre esta questão, leia o prefácio de "O Capital".

Mas, voltando aos dois modos de escrita, trata-se de escrever sem temer a perseguição. Estou me referindo evidentemente à perseguição policial, mas existem outras formas de perseguição mais sutis. Por exemplo, a desaprovação daqueles dos quais nós deveríamos, em nome da esperança, nos tornar amigos. Não há nada mais estimável em Marx do que a sua vontade de não dar ouvidos para as lamúrias dos bem-intencionados que tentam convencê-lo de que ele está equivocado em não se enganar. Mas é preferível aqui não nos deter aos detalhes. A verdadeira questão diz respeito ao futuro da arte de escrever sem reservas mentais, uma arte que é mais recente do que aquela de Strauss, mas que caiu ainda mais no esquecimento.

Eu sei que a perseguição reapareceu. As matanças, as maldições, a prisão, tudo recomeçou. Então, a arte de escrever sob a perseguição é um tema que está se tornando novamente inevitável. Mas, nos lugares onde o pior ainda não se instalou, ninguém precisa se apressar a renunciar a esta outra arte de escrever, da qual Marx foi um mestre. As virtudes da sua abordagem são muitas: nem prudência nem respeito, raciocinar sem dobrar-se; não fingir estar errado quando se está certo, não deixar para intermediários a tarefa de dizer o que se pensa, não misturar aquilo que se tem como verdadeiro em meio a declarações de submissão e de fidelidade àquilo que se tem como falso. Estas são as virtudes que conservei de Marx. Ora, andei constatando que há uma grande indiferença em relação a esta questão por parte daqueles que dizem ser os seus herdeiros.

Resta o pensamento. Nós sabemos que Marx declara ser um materialista. A proposta materialista por excelência tem o seu enunciado: nada se perde, nada se cria. Resumindo, a matéria é um jogo no qual a soma é nula. Ora, o materialismo de Marx afirma abertamente o contrário: existe algo material que se cria por meio apenas do jogo das forças materiais. Tal é a teoria da mais-valia: a força de trabalho cria valor lá onde este não existia.

Todos os grandes pensamentos materialistas se baseiam numa operação análoga. Ou alguma coisa se perde, ou alguma coisa se cria. É possível detectar a existência de materialismos do "menos um" (tal como defendeu Freud nos seus textos finais) e de materialismos do "mais um" (o "clinamen" de Lucrécio, filósofo epicurista do século 1 a.C.; ou ainda o aleatório darwiniano como origem das espécies, etc.). O "nem tudo" de Lacan opera uma abertura para as duas leituras. Esses diversos operadores enunciam que o jogo não resulta numa soma nula. Ou que o único jogo que valha é um jogo cuja soma não é nula. Negativa ou positiva, isso depende das doutrinas.

Mas, na realidade, os jogos de soma nula são aqueles que predominam efetivamente. Eles têm por nome matéria, ou espírito; ou grande desígnio, ou ordem mundial, ou revolução mundial, ou Papai Noel, pouco importa - é o infame. Contra este inimigo, os textos de Marx contêm um operador eficiente, embora este seja demasiadamente oculto.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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SP lista maiores emissões de CO2

SP lista maiores emissões de CO2
Indústria libera 38 milhões de toneladas do gás-estufa por ano; nomes de empresas serão informados em 30 dias

Cristina Amorim
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Cem empresas concentram praticamente toda a emissão de CO2, o mais potente gás do efeito estufa, que sai da indústria paulista, calculado em 38 milhões de toneladas por ano. Cinco, apenas, respondem por 60% do volume total, segundo dados divulgados ontem pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, em um evento no Parque do Ibirapuera.

As cinco são: uma siderúrgica, três refinarias e uma petroquímica. Os nomes e a localização não foram divulgados. O secretário Xico Graziano promete o anúncio em até 30 dias, com a presença de seu antecessor, José Goldemberg - quem originalmente sugeriu a compilação dos dados no ano passado, quando já estava fora do cargo.

A emissão é dividida entre a queima de combustível, para alimentar a planta industrial, e a produção em si. Neste ponto, Graziano afirma que a notícia é positiva: o uso de fontes renováveis é de 77%.

Quem mais emite são justamente aqueles cuja natureza do negócio pressupõe uma taxa alta de emissão de CO2, devido à matéria-prima (como petróleo, um combustível fóssil) ou ao processo de produção (que tem o gás como subproduto). Em primeiro está a indústria de aço e ferro-gusa, que responde por 39% das emissões. Depois está a indústria petroquímica, com 25%.

A informação vem do próprio setor, especificamente de 329 empresas convidadas pela secretaria a participarem do inventário de emissão industrial do Estado - 42 não responderam e têm 15 dias para fazê-lo, antes do anúncio dos nomes.

Os dados são coletados no site da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e fornecidos pelo próprio empresariado. O cálculo segue metodologia empregada pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

IMPACTO

O diretor do conselho de meio ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Nelson Pereira dos Reis, nega que a entidade tenha auxiliado a secretaria no levantamento, como afirmou Graziano. Ele considera que o anúncio "dá uma conotação de condenação" e "quando se faz a conta (do total das emissões nacionais) e compara com a emissão das cem empresas, a gente vê que é nada".

A principal fonte de emissão brasileira é a conversão dos solos, especialmente o desmatamento na Amazônia e no cerrado - só de CO2, foram 776 bilhões de toneladas em 1994, segundo o único inventário nacional de emissões. Em São Paulo, o setor de transporte paulista ultrapassou a indústria e hoje é a primeira contribuição do Estado para o agravamento do efeito estufa: são 43 milhões de toneladas por ano de CO2.

APLICAÇÃO

O secretário do Meio Ambiente diz que pretende conversar com o setor para reduzir o volume de emissões. Ele refuta a criação de incentivos fiscais para que a indústria invista em um processo "mais limpo". "Os empresários sempre querem isenção fiscal para fazer a lição de casa. Temos de encontrar outros mecanismos que não onerem o contribuinte", disse. "Talvez para a geração de tecnologia o governo tenha de contribuir. Mas não na questão tributária."

A Fiesp, por sua vez, diz ter planos de incentivar metas - voluntárias - de corte das emissões industriais de gases-estufa, mas não tem prazo para colocar a idéia em prática. Reis afirma que a indústria de São Paulo realmente não precisaria de incentivos fiscais, uma vez que a redução seria uma conseqüência do investimento em eficiência energética e produtiva.

Segundo o diretor de campanhas do Greenpeace, Marcelo Furtado, presente no evento, alguns setores podem reduzir suas emissões com o investimento em eficiência energética e em novas tecnologias, mas em outros o corte seria limitado pelo tipo de produto. "Agora cabe uma reflexão política: que tipo de indústria o Estado quer, e o País quer?"

Retrato do descaso

Retrato do descaso
É triste que as entidades de defesa do consumidor - passados 17 anos de vigência do Código de Defesa do Consumidor - ainda tenham que fazer o ranking das empresas que mais dão dor de cabeça aos usuários. Pior ainda que sejam sempre as mesmas campeãs de queixas, como é o caso da Telefônica. Isso mostra que o desrespeito ao consumidor é prática reiterada e nada se tem feito para que deixe de liderar as listas. O fato de a empresa atender milhões de pessoas não é desculpa para as 4.405 reclamações do ano passado no Procon-SP. A Telefônica liderou as queixas de 1998 até 2001 e depois em 2006. E agora novamente está a frente com o maior número de queixas. O desempenho da Telefônica influiu também no ranking por áreas: "serviços essenciais", que congrega telefonia, fornecimento de energia elétrica e água, entre outros, lidera o levantamento, com 31% das reclamações. Já na PRO TESTE Associação de Consumidores ao longo de 2007 os serviços públicos e de interesse público tiveram 34% das queixas, seguidos de produtos (33%); financeiros (17%); e por serviços em geral (16%).Compras pela Internet; serviços de telefonia celular; telefones celulares; produtos eletroeletrônicos; e serviços de TV por assinatura foram os serviços e produtos líderes em reclamações de associados da entidade.

Escrito por Maria Inês Dolci às 12h33

Retrato do descaso
É triste que as entidades de defesa do consumidor - passados 17 anos de vigência do Código de Defesa do Consumidor - ainda tenham que fazer o ranking das empresas que mais dão dor de cabeça aos usuários. Pior ainda que sejam sempre as mesmas campeãs de queixas, como é o caso da Telefônica. Isso mostra que o desrespeito ao consumidor é prática reiterada e nada se tem feito para que deixe de liderar as listas. O fato de a empresa atender milhões de pessoas não é desculpa para as 4.405 reclamações do ano passado no Procon-SP. A Telefônica liderou as queixas de 1998 até 2001 e depois em 2006. E agora novamente está a frente com o maior número de queixas. O desempenho da Telefônica influiu também no ranking por áreas: "serviços essenciais", que congrega telefonia, fornecimento de energia elétrica e água, entre outros, lidera o levantamento, com 31% das reclamações. Já na PRO TESTE Associação de Consumidores ao longo de 2007 os serviços públicos e de interesse público tiveram 34% das queixas, seguidos de produtos (33%); financeiros (17%); e por serviços em geral (16%).Compras pela Internet; serviços de telefonia celular; telefones celulares; produtos eletroeletrônicos; e serviços de TV por assinatura foram os serviços e produtos líderes em reclamações de associados da entidade.

Escrito por Maria Inês Dolci às 12h33

http://mariainesdolci.folha.blog.uol.com.br/

CONSUMIDOR DE PRIMEIRO MUNDO

CONSUMIDOR DE PRIMEIRO MUNDO


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Um dos maiores problemas do consumidor brasileiro é o tratamento que recebe de empresas internacionais
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H OJE É O DIA Mundial do Consumidor. Nesta semana, o Código de Defesa do Consumidor (CDC), um sucesso como legislação a favor dos cidadãos brasileiros, completou 17 anos.
Talvez seja difícil avaliar o quanto avançamos na defesa dos nossos direitos. Hoje, por exemplo, já é praxe a convocação de recall quando um produto apresenta defeito de fabricação que possa comprometer a saúde ou a segurança do comprador. Na área pública, o instituto da ouvidoria se consolidou, embora ainda sujeito às injunções políticas dos companheiros de plantão.
Vitórias mais recentes, como a exigência de que os bancos e as demais instituições financeiras informem o Custo Total Efetivo (CET) de empréstimos, não foram concedidas por bom-mocismo ou por gentileza de autoridades, banqueiros e empresários. Nada disso. Foram conquistados com muita luta e mobilização das entidades de defesa do consumidor, de alguns poucos parlamentares, juízes e outras autoridades, além do próprio consumidor - cada vez que se queixa às entidades públicas e privadas que o representam, ele consolida ainda mais o poder do CDC.
Não vamos, contudo, usar os óculos do doutor Pangloss e só enxergar avanços e vitórias. Ainda há muito a conquistar. E nada virá sem organização e luta.
Um dos principais problemas do consumidor, hoje, é o tratamento diferenciado que recebe, no Brasil, de empresas internacionais em relação à forma como tratam os cidadãos de seus países de origem. Merecemos otratamento dos consumidores doPrimeiro Mundo.
Não é somente nos aeroportos de fora que somos barrados, o que já seria um absurdo. Empresas prestam, aqui, serviços inferiores aos que oferecem a seus compatriotas. Tratam-nos como nativos exóticos que não merecem respeito e consideração na prestação de serviços.
Desobedecem ao CDC e, lamentavelmente, contam, muitas vezes, com o apoio ou a leniência das agências reguladoras. Vai chegar a hora, contudo, em que essas empresas terão de mudar o tratamento dispensado aos brasileiros, se não quiserem perder mercado ou sofrer sanções judiciais.
Com a abertura econômica e a participação crescente do Brasil na economia mundial, inclusive com multinacionais sediadas aqui, o consumidor há de perceber essa discriminação e cobrar seus direitos. É o próximo passo, sem dúvida. Também seria excelente se as empresas privadas, a exemplo desta Folha, acelerassem a criação e a manutenção de ouvidorias, pois este é o maior símbolo da transparência nas relações de consumo.
O saldo, portanto, desse jovem CDC, é muito positivo. É um dos melhores do gênero em todo o mundo. Mas pode ser ainda mais forte à medida que todas as empresas o obedeçam, a exemplo do que os bancos tiveram de fazer, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado.
Parabéns, consumidor, por sua semana, seu dia internacional e seu Código exemplar e bem-sucedido!

Frei Betto critica assistencialismo e pede reformas por "democracia econômica"


Frei Betto critica assistencialismo e pede reformas por "democracia econômica"
Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo

O frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, foi um dos líderes do Fome Zero, principal programa social do primeiro mandato do presidente Lula. Durante dois anos, foi assessor especial da presidência e coordenador de mobilização social para o Fome Zero.

Teólogo e escritor ligado à esquerda - foi preso durante a ditadura militar e acusado de apoiar guerrilheiros como Carlos Marighella -, Frei Betto deixou o governo no final de 2004 incomodado com os rumos da política econômica e criticando a burocracia que emperrava o andamento dos programa sociais.




Frei Betto critica assistencialismo do Bolsa Família e pede reformas estruturais no país
De longe, viu o Fome Zero perder o posto de "carro-chefe" para o Bolsa-Família, que completou quatro anos nesta semana com direito a comemoração em Brasília. Em entrevista ao UOL, Frei Betto lamenta a substituição de um programa "emancipatório" por um "assistencialista" e pede reformas estruturais para que o Brasil alcance a "democracia econômica".

UOL - O governo federal tem motivos para comemorar esse aniversário de quatro anos do Bolsa-Família?
Frei Betto - Por que o governo federal não comemora cinco anos do Fome Zero e sim quatro do Bolsa Família? É uma pena que um programa muito mais amplo, e de perfil emancipatório, formatado pelo próprio governo Lula, e tido como prioritário, tenha sido substituído pelo Bolsa Família, que tem caráter mais assistencialista. É claro que o governo tem motivos para comemorar, afinal, depois da Previdência Social, o Bolsa Família é o maior programa de distribuição de renda existente no Brasil. E também a maior usina de votos favoráveis ao governo. Espero, entretanto, que o resgate de uma importante medida do Fome Zero - estabelecer prazo para as famílias se emanciparem do programa - venha a imprimir ao Bolsa Família um caráter mais educativo, de promoção cidadã. É preciso que os beneficiários produzam sua própria renda, sem depender do poder público nem correr o risco de retornar à miséria.

UOL - Quando o senhor deixou o governo, fez críticas à burocracia, que atrapalhava o andamento do Fome Zero. De lá para cá, mudou alguma coisa? Houve melhoras na execução dos programas sociais?
FB - Quanto ao Bolsa Família, houve evidente melhora, sem dúvida, graças ao empenho do ministro Patrus Ananias. Porém, me pergunto pelos outros programas que faziam parte da cesta emancipatória do Fome Zero: onde estão os cursos profissionalizantes? A formação de cooperativas? Os restaurantes populares? Os bancos de alimentos? Os comitês gestores? Por que conceder facilidades de acesso ao crédito se já existia, no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, iniciativas, como o Banco Popular (que fim levou?) nesse sentido?

UOL - Que balanço o senhor faz hoje dos programas de combate à fome e do Bolsa-Família?
FB - Em geral, positivos, mas provisórios enquanto as medidas assistencialistas não forem respaldadas por reformas de estrutura. De que adianta distribuir renda a quem aspira que se distribua terra? Como é possível ter êxito no combate à fome sem reforma agrária? Como se explica as famílias pobres terem mais acesso à renda e ao consumo e, ao mesmo tempo, sofrerem a ameaça de dengue e febre amarela? O governo combate, de fato, a miséria, mas não a desigualdade social, pois teme mexer nas estruturas arcaicas do país e desagradar os que se enriquecem graças à injustiça estrutural.

PROGRAMA NÃO DISTRIBUI RENDA
Para Michel Zaidan Filho, cientista político da Universidade Federal de Pernambuco, o Bolsa-Família realmente conseguiu um avanço no combate à miséria, motivo de comemoração para o governo federal. "Dessa perspectiva, não há dúvida o governo tem muito o que comemorar porque isso tem impactos diretos e indiretos na qualidade de vida, no acesso a determinados serviços, na melhoria da alimentação, da saúde", afirmou. No entanto, ele chama atenção para a pouca efetividade do Bolsa-Família no que diz respeito à concentração de renda no país, já que a versão brasileira dessa política não é encarada como um direito universal de todos os cidadãos.
UOL - Que avaliação o senhor faz das medidas anunciadas nesta semana? Qual impacto elas terão sobre a vida dos beneficiários?
FB - É muito cedo para avaliá-las. Quanto ao impacto, é claro: o governo já iniciou sua campanha pelas eleições municipais.

UOL - O senhor vê uso eleitoral do Bolsa-Família? Acha isso inevitável em ano de eleição?
FB - Em política tudo tem uso eleitoral, do contrário o poder não seria motivo de tanta cobiça. Ainda que haja motivação eleitoreira, importa-me saber se os mais pobres são beneficiados. E isso tem ocorrido, embora sem o caráter emancipatório a que me referi.

UOL - O senhor acredita que o pagamento de renda pelo governo a essas famílias possa causar algum tipo de dependência?
FB - A dependência é clara, pois onde há dinheiro, há dependência. O próprio governo é consciente disso, tanto que agora retomou um critério do Fome Zero: estabelecer prazo de permanência no programa. A questão é saber se, após os dois anos como beneficiária, a família encontrará de fato sua porta de saída, conquistando autonomia para produzir sua própria renda.

UOL - Esse tipo de programa vira um caminho sem volta? Como fazer com que essas pessoas "caminhem com as próprias pernas"?
FB - Só se pode "caminhar com as próprias pernas" quando se vive num país cujas estruturas sócio-econômicas não produzem tanta desigualdade e, portanto, oferecem à maioria acesso razoavelmente igualitário aos direitos de cidadania. O povo brasileiro, em sua maioria, jamais "caminhará com as próprias pernas", sem ter que apelar ao poder público, às instituições filantrópicas, ao trabalho informal, à contravenção como o narcotráfico, enquanto não houver aqui reforma agrária e leis que, de um lado, impeçam que se criem as condições de miséria e, de outro, o enriquecimento abusivo. Não temos ainda democracia econômica.

UOL - Por fim, o senhor considera o programa vulnerável a fraudes?
FB - Lamento que o programa seja monitorado pelas prefeituras, onde há freqüentes indícios de corrupção, e não pelos comitês gestores, formados por representantes da sociedade civil, como se propôs na fase inicial do Fome Zero. Sem a sociedade civil fiscalizar, pressionar e cobrar, o poder público costuma cair em tentação.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Unicamp forma primeiro mestre autista

Unicamp forma primeiro mestre autista
Da redação
Em São Paulo*
O pesquisador Daniel Jansen, portador da síndrome de Asperger (espécie de autismo), defendeu tese de mestrado em biologia marinha na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no interior de São Paulo.

"É o primeiro aluno nessas condições a defender um trabalho de pós-graduação na Unicamp", diz Fosca Pedini Pereira Leite, orientadora do projeto.

A síndrome, um transtorno que resulta em dificuldade de relacionamento e de interação social, não impediu Jansen de conduzir levantamento sobre 35 espécies de crustáceos no litoral norte de São Paulo.

Sob a orientação da professora, ele estudou os anfípodes (pequenos crustáceos) que vivem com alga marinha. A espécie preocupa os cientistas por invadir o espaço de outros vegetais dos oceanos.

Jansen e Fosca realizaram coletas aleatórias de amostras de algas e dos substratos em seu entorno em duas praias de São Sebastião e Ubatuba.


Superação
Apesar de possuir excelente acuidade visual, habilidade que foi decisiva para a identificação das espécies, a maior dificuldade de Jansen, segundo a professora, está em atividades que envolvem a coordenação motora.

"Por conta disso o estudo demorou um pouco mais que o habitual para ser concluído", disse Fosca. O mestrado começou em 2004 e foi concluído em fevereiro de 2008.

Para a professora, os problemas motores e de socialização de Jansen não atrapalham sua capacidade intelectual. Alguns pesquisadores acreditam que Sindrome de Asperger seja um caso de autismo em que a inteligência é preservada.

"Ele também tem uma capacidade de observação muito desenvolvida e consegue relacionar, com facilidade, as estruturas observadas com as descrições das espécies. Por isso o aconselhei a desenvolver um projeto de pesquisa relacionado à identificação de espécies de crustáceos, que também venho estudando há vários anos", disse Fosca.

"Confesso que o processo não foi fácil e exigiu muita dedicação dos docentes do instituto. Deverá servir de exemplo para outros alunos nas mesmas condições de Daniel", destacou Fosca.

*Com informações da Agência Fapesp

domingo, 9 de março de 2008

Pq será que Fidel ?


Pq será que Fidel vende enquanto notícia?Pq será?
A mídia sempre soube vende-lo beme fatura bem encima dele
Como o "New York Times" inventou Fidel Castro
Em fevereiro de 1957, Castro foi dado como morto depois de um desembarque catastrófico em Cuba. Perdido na montanha com um punhado de rebeldes, ele parecia condenado ao esquecimento. O encontro com um jornalista do "The New York Times" iria lhe conferir uma estatura internacional.

Julie Pêcheur

Durante sua última viagem aos Estados Unidos, por ocasião da Cúpula do Milênio da ONU, em setembro de 2000, Fidel Castro encontrou tempo para ir ao "The New York Times". Enquanto percorria os corredores do célebre jornal, diante dos retratos de personalidades que marcaram o século, ele exclamou de repente: "Onde está o retrato de Herbert Matthews? Esse sim era um jornalista!" Mas, apesar de 36 anos de serviço como grande repórter e editorialista, Matthews não faz parte das lendas oficiais do "New York Times".

Por outro lado, a 2.500 quilômetros de Manhattan, no Museu Nacional da Revolução em Havana, o jornalista americano encontrou lugar em uma vitrine, em meio a uniformes militares, retratos de revolucionários e velhos fuzis. O vemos em uma pequena foto preto-e-branco, sentado em plena floresta, de charuto nos lábios e caderno na mão. Ao seu lado, o jovem Fidel Castro também acende um charuto.

"Desembarque patético"
Essa cena pouco conhecida ocorreu em fevereiro de 1957, no crepúsculo úmido da Sierra Maestra, uma região montanhosa no leste de Cuba. Três meses antes, Castro ainda se encontrava no México, onde se havia exilado depois de passar um ano e meio na prisão por sua participação, em 26 de julho de 1953, no ataque de La Moncada, um quartel do exército de Batista em Santiago. Convencido de que os cubanos, desesperados com a violência e a corrupção do regime, estavam prestes a se rebelar, ele havia elaborado e divulgado publicamente um plano muito simples: desencadearia uma insurreição popular em todo o país, fazendo coincidir seu desembarque no sudeste da ilha com um levante previsto em Santiago de Cuba.

Em 25 de novembro de 1956, Fidel Castro e 81 companheiros embarcam em um velho iate, o Granma. Sacudido pelo mar forte e chuvas torrenciais, a frágil embarcação se perde nos manguezais cubanos e chega dois dias atrasada. As metralhadoras de Batista a esperam. Informado do projeto, este último já esmagou sem dificuldades o levante de Santiago. É uma hecatombe. Os corpos de Raúl e Fidel Castro são oficialmente identificados e enterrados pelo exército.

No entanto, uma dezena de sobreviventes - entre os quais os irmãos Castro e Ernesto Guevara - consegue chegar às montanhas. Em 4 de dezembro de 1956, um editorial do "The New York Times" intitulado "Os violentos cubanos" se interroga sobre o objetivo desse "desembarque patético de cerca de 40 jovens que se consideram um exército invasor". O editorialista não se conforma que o chefe dessa aventura, Fidel Castro, pudesse deliberadamente revelar seus planos antes da operação. "Pode-se imaginar uma coisa mais idiota?", ele se interroga, antes de concluir: "Não há a menor chance de que uma revolta tenha sucesso nas atuais circunstâncias", referindo-se ao poderio militar de Batista.

Instinto intacto
Efetivamente, um mês depois, o pequeno grupo que sobrevive na floresta com a ajuda de camponeses locais parece condenado ao esquecimento. A imprensa cubana estava censurada e Castro compreende que deve contatar a imprensa estrangeira para convocar a opinião pública para sua causa. Ele envia um mensageiro a Ruby H. Phillips, a correspondente do "New York Times" em Havana. Conhecida demais das autoridades locais para realizar pessoalmente essa reportagem, Phillips contata o jornal em Nova York, que então envia Herbert Matthews.

Disfarçados de turistas, Matthews e sua mulher, Nancy, partem para a província de Oriente, onde se encontram os homens de Castro na cidade de Manzanillo. Ao cair da noite, os rebeldes conduzem Matthews através dos canaviais e escapam de uma barreira do exército fazendo-o passar por um rico investidor americano. Terminam atravessando a floresta a pé. A subida é íngreme, o terreno escorregadio. Sim, Matthews já viu outros: ele cobriu a Guerra Civil espanhola, a campanha da Itália... Mas, aos 57 anos, esse homem alto e magro não está mais em sua melhor forma.

Seu instinto está intacto, porém. Enquanto espera a noite toda, sentado sobre um cobertor, pela chegada do chefe dos rebeldes, Matthews pressente que talvez se trate de um momento histórico. De fato. O jovem Fidel Castro chega finalmente e lhe dá uma entrevista de três horas - o "furo" de sua vida. "Havia uma reportagem a escrever e uma censura a vencer", escreveu Matthews em suas "Memórias". "Foi o que fiz, e nem Cuba nem os Estados Unidos seriam os mesmos depois disso." Dois dias depois, Nancy esconde em sua cinta as anotações do marido, que trazem a assinatura de Castro como prova de autenticidade, e os Matthews voltam aos Estados Unidos. Em 24, 25 e 26 de fevereiro de 1957 o "New York Times" publica três grandes artigos, dois deles na primeira página. Eles descrevem em detalhe a corrupção do regime Batista e as atrocidades cometidas pelo exército, ao mesmo tempo denunciando o apoio militar e diplomático dos Estados Unidos ao regime.

Rebelde carismático
Essa análise recusa categoricamente a linha oficial que faz de Cuba uma ilha próspera e dócil governada por um regime favorável aos interesses americanos - visão que perdura entre o governo e o público americanos, apesar dos sinais crescentes de forte descontentamento popular. Matthews elogia todos os grupos de oposição, mas diferencia e promove ao primeiro plano Fidel Castro e o Movimento 26 de Julho (dia em que, três anos e meio antes, Castro atacou La Moncada). Ele está convencido por esse rebelde carismático de 30 anos. Afirma que seu programa político é vago, matizado de nacionalismo, de anticolonialismo e antiimperialismo, mas salienta que Castro não sente qualquer animosidade em relação aos Estados Unidos. O jornalista estima que esses rebeldes são portadores de "uma mudança radical e democrática para Cuba, e portanto anticomunista". Enfim, ele anuncia que os guerrilheiros "dominam" militarmente a Sierra Maestra e humilham regularmente a flor do exército cubano. Ele cita Fidel Castro descrevendo suas tropas, "grupos de dez a 40 combatentes", e ele mesmo avalia o entorno do guerrilheiro em cerca de 40 homens. Na realidade, o Movimento 26 de Julho não tem mais que 18 combatentes, motivados e solidamente idealistas, mas mal armados e completamente isolados.

Dois anos depois, Castro contaria no Overseas Press Club, em Nova York, diante de um Herbert Matthews um pouco incomodado, que enganou o repórter: durante a entrevista seus homens trocaram de roupa e giraram ao redor do jornalista para dar a impressão de que eram mais numerosos. Raúl chegara a interromper a entrevista para dar notícias de uma "segunda coluna" imaginária.

Irritado com os artigos do "Times", Arthur Gardner, o embaixador dos Estados Unidos em Havana, se apressa a tranqüilizar Washington: "Batista tem a situação "sob controle". O comandante militar da província de Oriente, cujos homens são encarregados de eliminar os últimos rebeldes, afirma que "as declarações desse jornalista americano são absolutamente falsas, pois é fisicamente impossível ir à região onde a entrevista imaginária teria ocorrido, pois "ninguém pode penetrar nessa zona sem ser visto". "Na minha opinião", ele conclui, "Matthews nunca pôs os pés em Cuba."

Na ilha, porém, as reportagens têm o efeito de uma bomba. Castro, que enviou um de seus homens a Nova York para fotocopiá-las com urgência, manda distribuir às escondidas milhares de cópias em Havana e em Santiago de Cuba. Alguns dias depois, Batista suspende temporariamente a censura, permitindo que as rádios e os jornais locais comentem os artigos do "Times": assim, todos os adversários do regime ficam sabendo que Castro está vivo e que a luta continua. Uma propaganda inesperada. Para salvar a face, o ministro da Defesa cubano declara então que "o senhor Matthews não entrevistou o rebelde comunista Fidel Castro" e que "a entrevista e as aventuras descritas pelo correspondente Matthews podem ser consideradas um capítulo de um romance de ficção". Ele se surpreende de que o repórter não tenha aproveitado para se fazer fotografar junto com Castro para autenticar essa fábula. "The New York Times" se apressa então a publicar a declaração do ministro, acompanhada da foto tirada por um dos rebeldes, hoje exposta no Museu de Havana. Batista está convencido de que se trata de uma montagem.

Mas o presidente do Banco Nacional de Cuba entendeu. Então ele lhe sussurra: "Se está publicado no 'New York Times', é verdade em Nova York, é verdade em Berlim, em Londres e em Havana. Você pode ter certeza de que o mundo inteiro acredita nessa história". A seqüência é conhecida. Em 8 de janeiro de 1959, depois de dois anos de combates, Fidel Castro faz uma entrada triunfal em Havana com milhares de guerrilheiros. Já faz dois anos que Herbert Matthews, que se tornou o "senhor Cuba" no "New York Times" desde aquela famosa entrevista, escreve quase todos os artigos e editoriais sobre o assunto. Ele nunca se afastou de sua primeira impressão: Castro não é um comunista, repete. Ele implora que os americanos ignorem seu mau humor e suas declarações intempestivas. Chega a lhes pedir que apóiem essa revolução social e adverte que, no contexto da Guerra Fria, a deterioração das relações com Cuba faria a ilha cair na trama dos comunistas, que já tentam se apropriar da revolução.

Responsáveis pelo fracasso
Mas em 1960 a linha vermelha é cruzada: a reforma agrária fere diretamente os interesses econômicos americanos e as relações diplomáticas ficam perigosamente tensas. No "New York Times", Matthews é gradualmente marginalizado, considerado culpado de subjetividade. Ele continua escrevendo editoriais, mas não é mais enviado a Cuba. Em janeiro de 1961, o presidente Eisenhower rompe relações diplomáticas com Havana; a revolução desliza para o comunismo - os Estados Unidos perderam Cuba. Para a direita americana, os aliados de Batista e a imprensa conservadora, Herbert Matthews e "The New York Times" são e continuam sendo até hoje os responsáveis por esse fracasso.

Em 1960, o embaixador Earl T. Smith, que substitui Gardner, acusa o jornalista de ter influenciado o Departamento de Estado americano. Diante do subcomitê do Senado para assuntos internos, ele anuncia que as reportagens do "New York Times" "permitiram que Castro adquirisse uma estatura internacional e um reconhecimento mundial. Até então havia sido apenas mais um bandido nas montanhas de Oriente ...". No mesmo ano, uma caricatura publicada na revista conservadora "The National Review" mostra Castro montado em Cuba, com a legenda "Encontrei meu emprego no 'New York Times'". Em uma carta dirigida a seu amigo Ernest Hemingway, encontrada durante a Guerra Civil espanhola, Matthews conta que manifestantes se reuniram diante do prédio do "New York Times" para protestar contra ele. "O que tenho sofrido ultimamente!", ele se queixa. Está profundamente decepcionado com o rumo que tomam os acontecimentos, tanto em Cuba quanto nos Estados Unidos. Mas continua convencido de que não se enganou, que Castro não é comunista, que operou uma aproximação pragmática com esse partido somente a partir de 1960.

Depois de ter recebido ameaças de morte, o jornalista é colocado sob a proteção do governo. Ele deve deixar precipitadamente a tribuna da Universidade do Novo México depois de um alerta de bomba. Também é excluído da Associação Interamericana de Imprensa e prefere evitar o Overseas Press Club. Em 1965 o próprio Eisenhower o acusa de ter "quase sozinho" feito de Castro "um herói nacional".

Mesmo depois de sua morte, em 1977, 20 anos depois de seu encontro com Fidel Castro na Sierra Maestra, Matthews continuou sob o ataque dos conservadores. Em 1987, William Ratliff, um pesquisador do Instituto Hoover da Universidade Stanford, ainda diria: "Raramente na história um único escritor teria dado o tom com tanta influência (...) quanto a um personagem, um movimento, um fenômeno histórico". Herbert Matthews sempre negou ter "feito" Castro. Aos olhos dele, tratava-se apenas de "um homem prometido a um destino fora do comum, que teria acabado se impondo de qualquer maneira". É muito provável. Mas os artigos do "New York Times" talvez tenham acelerado o curso da história.

sábado, 8 de março de 2008

Lula autoriza PF a barrar espanhóis como retaliação

Os espanhois acham que o mundo é deles até por estaremunidos aos EUA,e por outro lado por ja ter destaque na comunidade Europeia, mas engano deles, há laços conosco que estão sendo desprezados,neste sentidomuito boa a posiçaõ do Itamarati e do Presidente Lula.
Lula autoriza PF a barrar espanhóis como retaliação
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da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou a decisão do secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, de repatriar sete espanhóis que desembarcaram na noite de quinta-feira em Salvador, informam Eliane Cantanhêde e Valdo Cruz em reportagem publicada neste sábado pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

A ação, que seria uma retaliação ao tratamento dispensado aos brasileiros barrados em Madri, foi executada pela PF (Polícia Federal).

Para não entrar em confronto com a Espanha, o Planalto, a PF e o Itamaraty afirmam, no entanto, que a repatriação dos espanhóis é conseqüência da decisão do governo de aumentar o rigor na fiscalização da entrada de estrangeiros no Brasil, especialmente os espanhóis.

O subsecretário-geral para as comunidades brasileiras no exterior do Itamaraty, embaixador Otto Maia, classificou o fato como "uma boa coincidência".

Entre as exigências determinadas pelo governo estão: passagem de volta, dinheiro para se manter no país e nome do hotel ou endereço do amigo ou parente onde ficará hospedado.

Porém, se o Brasil não admite que determinou uma retaliação ao governo espanhol, admite, sim, exigir "reciprocidade".

O estopim da crise entre as Chancelarias de Brasil e Espanha ocorreu nesta semana quando a Espanha barrou a entrada dos mestrandos do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) Patrícia Rangel e Pedro Luiz Lima. Eles foram impedidos de entrar no país na quarta-feira e devolvidos ao Brasil. Os dois estavam a caminho de Lisboa para um congresso de Sociologia, primeiro evento internacional de que participariam.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Touchscreen domina Cebit 2008 e anuncia fim do teclado e do mouse

Touchscreen domina Cebit 2008 e anuncia fim do teclado e do mouse
LILIAN FERREIRA | Do UOL Tecnologia, em Hannover (Alemanha)
A era do teclado e do mouse chegou ao fim. A Cebit, maior feira de tecnologia do mundo, mostra este ano uma clara tendência em simplificar interfaces —a partir de agora, computadores e celulares passarão a funcionar com touchscreen, e comandos como aumentar fotos ou escrever serão acionados diretamente na tela.

Inevitável lembrar do iPhone, da Apple, e do Surface, da Microsoft, que desde o ano passado sinalizaram o novo rumo da computação pessoal —e também da telefonia. Na Cebit, o que se vê são centenas de objetos e telas sensíveis ao toque. Parece até que isso já é normal no dia-a-dia.

DIRETO DA CEBIT 2008

Touchscreen 3D da Samsung usa 2 LCDs; clique na foto para ampliá-la e ver mais
ÁLBUM DE TELAS MULTITOQUE
TVs 3D E MAIS NOVIDADES MULTIMÍDIA
FEIRA TEM ATÉ PC À PROVA D'ÁGUA
MOUSES INUSITADOS NA CEBIT
TV, PC E CELULAR "CONVERSAM"
Mas engana-se quem pensa que a tecnologia permanecerá exclusividade de Steve Jobs e Bill Gates. As telas multitoque já estão em jogos, celulares, telas de computadores e notebooks, televisões, estações de compras, terminais, no mouse, teclado e caixa de som do computador. Isso sem contar em uma parede inteira que foi coberta com tela touch-screen pela T-online, subsidiária da Deutsche Telekom.

Confira vídeo do "paredão touchscreen"

A Samsung, por exemplo, promete já para 2009 notebooks com telas touchscreen —aliás, duas telas, e não apenas uma. O truque gera uma sensação de 3D e usa uma tecnologia trazida da Nova Zelândia.

Richard Ng, da Puredepth, empresa que desenvolveu a tela, explica: "Usamos duas telas de LCD a uma distância de 8 mm. Assim, com o toque, é possível enviar ícones, desenhos e arquivos para trás ou para frente [como se você trabalhasse com duas áreas de trabalho], escrever sobre objetos que estão no fundo usando cores translúcidas ou ainda criar a sensação de 3D por causa da profundidade. Jogos em três dimensões, por exemplo, podem simular a distância espacial". Ele diz ainda que espera propostas para aplicar a tecnologia em celulares —alguém arriscaria dizer qual será o primeiro equipamento com ela?

Toque tudo

No "paredão touchscreen" da Cebit, a T-online demonstra um protótipo de "auxiliar doméstico". Com os dedos, o usuário escolhe qual operação quer realizar: ouvir uma música, mandar um e-mail ou fazer uma ligação. Também é possível brincar com jogos que envolvam coordenação motora e agilidade.


PC da Flytech: touchscreen à prova d'água
ÁLBUM DE TVs E ÁUDIO DIGITAL
Nos computadores, as telas sensíveis ao toque aparecem principalmente nos chamados ''all in one'', onde o monitor está integrado ao CPU. Um exemplo é o Stingray da Panasonic (para uso comercial) ou os modelos da Flytech Technology e da Tyco Eletronics. Um modelo com tela de 15" custa cerca de US$ 1.000.

Segundo Frédéric Thibaut, diretor de desenvolvimento de negócios da Tyco, a idéia da empresa é desenvolver PCs com telas de até 50 polegadas. "Pessoas que editam vídeo e áudio, por exemplo, precisam de telas grandes, e vamos desenvolver isso para elas".

Já na área de notebooks, a Panasonic trouxe para a feira a linha Toughbook, com três modelos com touchscreen, com tela reversível para tornar ainda mais fácil o uso. A PaceBlade também inclui a tela sensível ao toque à sua nova linha de Tablet PCs, os PCs-prancheta.

O SlimBook série 200 possui tela de LCD de 12,1" sensível ao toque. Sem teclado real, é possível usar teclado virtual ou, então, escrever na tela, já que o PC possui softwares de reconhecimento de escrita. Equipado com Intel Core Duo, Windows Vista e 4 GB de memória RAM, sai por aproximadamente U$ 2.000.

Mas e se o toque fosse além dos computadores e celulares? É o que pensou a Liyitec Touch Insight, de Taiwan. A empresa desenvolveu uma tela de vidro e plástico que, ligada aos circuitos internos de qualquer equipamento, torna-se uma tela de comando sensível ao toque. O produto não é vendido para o usuário final, a Liyitec busca parceria com empresas.

Tipos de toque

Existem vários tipos de tela sensível ao toque. "Elas podem usar infra-vermelho para detectar o toque. Podem também ser de capacidade [necessitam de mais força dos dedos para os comandos], de resistência [mais sensíveis ao toque e ao desgaste] ou usar ondas ultrassônicas", explica David Lung, daWincomm Corporation. A empresa vende telas com disco rígido interno para pontos de venda e para uso médico, como o Medical Grade.

O infravermelho é uma tecnologia frequentemente usada por indústrias. Com ele, não é preciso encostar na tela para dar o comando —alívio para quem tem mania de limpeza. Basta aproximar o dedo da tela para que o sistema registre a ação. A Hyundai IT, por exemplo, desenvolveu uma tela sensível por infravermelho que pode ser ligada a computadores ou televisores.

Já a Genius apresentou um modelo de computador comum à primeira vista, mas cheio de recursos que respondem ao toque. Enquanto o mouse não é completamente substituído, a empresa apostou em um rato com leitor dos movimentos do dedo, substituindo a roda e o botão esquerdo. O teclado também vem com ferramentas sensíveis ao toque acima das teclas comum —e até os alto-falantes são controlados pela ponta dos dedos.

Agora é esperar tudo isso chegar ao Brasil. Muitos dos produtos expostos ainda estão em fase de desenvolvimento —e a feira já mostra a tendência do que deve ser realidade para os aficionados por tecnologia nos próximos anos.

A Cebit 2008 reúne 5.845 empresas de 77 países e acontece até o próximo domingo (09/03) em Hannover, Alemanha. Em 2007, a feira —tida como maior evento de tecnologia do mundo— atraiu mais de 480 mil visitantes.

A Annablume e a Livraria da Vila/Fradique convidam para o lançamento do livro

A Annablume e a Livraria da Vila/Fradique convidam para o lançamento do livro

Imagens polifônicas
corpo e fotografia
de
Lucy Fiqueiredo



Dia 15 de março, sábado, das 15 às 18 horas
Livraria da Vila/Fradique
Rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalalena
São Paulo - SP -
(11) 3814-5811

Formato 16x23cm, 144 páginas, R$ 30,00
ISBN 978-85-7419-770-8

Este livro traça uma cartografia visual do corpo, subsidiada por uma articulação dialógica entre várias ciências. Ao se evidenciar o corpo enquanto objeto de estudo é possível realizar comentários sobre identidade, memória, amnésia desaparição. O corpo que se espelha nessa investigação está sempre a devir e é capaz de incorporar em seu interior dualidades e multiplicidades infinitas. Dessa forma, as aproximações realizadas nos campos da Fotografia, da História da Arte, do Cinema, da Medicina, da Psicanálise, da Filosofia e da Semiótica, tornam-se meios de buscar referências e construir um processo reflexivo e criativo, pautando pela inter-relação das distintas áreas de conhecimento.

Sumário sintetizado

Prefácio: Eduardo Peñuela Cañizal

Desvios e rupturas

Imagens antropofágicas

Película e pele

A desconstrução do espelho

Imagens polifônicas

Dialogismo e intertextualidade

Do ponto ao punctum

O duplo inquietante

Corpo estranho

Imagens imateriais

Corpos dóceis

Clones e simulacros

Memória e amnésia

estarei lá!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!paulo a c v

domingo, 2 de março de 2008

do el mercuryo chile


Déjate uno!
Un hermoso Volkswagen modelo Golf V es sacado de la fábrica de Volkswagen en Wolfsburg, en el norte de Alemania. La marca dueña del tradicional –y casi extinto- “escarabajo” duplicó sus ventas durante el último año, confirmándose como potencia automotriz. En Chile, de hecho, sus modelos Gol y Golf siguen estando dentro de los favoritos del público joven. FOTO: AP.

Más fotos en emol
http://blogs.elmercurio.com/fotodeldia/

Cartas da Zona de Guerra


Vale a pena conferir, afinal os livros anteriores valeram, sabe-se que a mídia o queimou, lá, lá nos eua, mas até aqui so chegam notícias , vamos aos fatos e portanto,a leitura
paulo a c v

Cartas da Zona de Guerra

Aproveitando esse clima (quase) disputa eleitoral nos Estados Unidos, reservo um tempinho para falar sobre Cartas da Zona de Guerra, do documentarista americano Michael Moore.

Devo admitir que sempre adorei a forma sarcástica e inteligente como o autor coloca as idéias no papel, mas tenho que dizer também que esse livro segue um rumo totalmente diferente dos demais (“Stupid White Men” e “Cara, cadê meu país?”).

Ao invés de tentar provar com suas próprias palavras que a invasão e a guerra no Iraque foram um erro, Moore meio que “copia e cola” as provas. “Cartas da Zona de Guerra” é, na verdade, um apanhado com mais de 100 cartas dos soldados que lutaram no Iraque meses depois do 11 de setembro. São depoimentos emocionantes enviados ao cineasta durante os conflitos que mostram o quanto os jovens que estavam lá sofreram.

Mas, apesar das diversas declarações estilo “Não agüento mais essa guerra”, raros são aqueles que criticam duramente o governo Bush. Uns contam como é não saber o dia de amanhã e outros se mostram carentes por estarem longe das famílias. Vale a pena conferir! :D
enviada por Aline
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sábado, 1 de março de 2008

O cérebro é o espírito

O cérebro é o espírito

Nossa cultura fala do cérebro como se fosse um computador. Ele é a sede da razão, e a arte é reservada ao espírito. Mas
agora a neurociência estuda a música e outras atividades
que definem a essência humana


Carlos Graieb

• A grande orquestra do cérebro
• Enigmas da linguagem


O cérebro nunca recebeu o devido crédito pelas criações artísticas. Aplicado à pintura ou à música, o adjetivo "cerebral" tem inclusive conotações negativas. Implica frieza ou cálculo – como se o mesmo órgão não fosse responsável por processar as emoções. O cérebro é engrenagem, computador, razão. Mas não arte. Há também quem julgue que tratar as esculturas de Michelangelo ou as sinfonias de Beethoven como produtos de um emaranhado de células nervosas tira delas a transcendência. Devido à antiquíssima divisão da experiência humana entre o físico e o imaterial, foi e continua sendo mais comum associar a arte a abstrações como as musas e o espírito do que ao trabalho de nossa massa encefálica. Em boa parte, contudo, essas idéias se deviam à falta de instrumentos adequados para estudar as artes do ponto de vista da neurologia. Isso mudou. Técnicas como a ressonância magnética funcional, que permitem captar imagens do cérebro em funcionamento, associadas a pesquisas no campo da neuroquímica e, de modo menos divulgado, a refinados modelos de computador de nossas redes neuronais, puseram em marcha uma revolução. A nova ciência do cérebro fez explodir o número de estudos sobre essas atividades tão intimamente ligadas à nossa essência humana: a produção e a fruição das artes. "Está surgindo uma nova disciplina", afirma o inglês Semir Zeki, uma das maiores autoridades mundiais na neurologia da visão. "Podemos chamá-la de neuroestética."

A neuroestética é uma via de mão dupla. Ajuda a entender melhor o cérebro e as artes. Cientistas que usam a música ou a linguagem como ferramentas para explorar nossa vida neural têm colaborado para derrubar velhos dogmas e refazer a cartografia do cérebro. O cérebro humano tem 100 bilhões de células nervosas e mais de cinqüenta substâncias neurotransmissoras. Estima-se que o potencial de conexões entre os neurônios chegue a 500 trilhões. Qualquer comportamento complexo depende de diversos grupos de células ligados por circuitos. A metáfora mais freqüente nos novos livros de neurologia é a das cascatas neurais – grandes seqüências de ativação de áreas do cérebro, às vezes bastante afastadas entre si. Uma das teorias destroçadas pelos achados recentes é o "localizacionismo". Ele remonta ao cirurgião francês Paul Broca, do século XIX, e postula que as principais habilidades humanas se devem única e exclusivamente a uma região do cérebro. Sim, é verdade que o órgão tem partes especializadas. Broca identificou uma delas, relacionada à fala. Como observa o biólogo americano Philip Lieberman, contudo, hoje é certo que a linguagem humana "pode ser rastreada até as respostas motoras dos répteis". Dito de outra maneira, ela envolve tanto partes primitivas do cérebro – aquelas que compartilhamos com cobras e lagartos – quanto outras que apareceram muito mais tarde na escala da evolução, como o lobo frontal esquerdo, que aloja a área de Broca. Especialização e coordenação – essa última em níveis às vezes insuspeitados – são dois princípios que governam o cérebro.

Mais recente ainda é a descoberta da incrível plasticidade do cérebro. Não faz muito tempo, pensava-se que pela idade de 3 anos o cérebro tinha sua estrutura rigidamente estabelecida. Hoje, está comprovado que a organização que o tecido cerebral assume no começo da vida não é definitiva. Provas assombrosas de que o cérebro é capaz de encontrar rotas alternativas para atingir a mesma finalidade estão nas hemisferectomias – operações que extirpam um dos hemisférios do cérebro, atingido por um sério dano. Um dos casos mais famosos é o do menino inglês Alex. Ele tinha uma anomalia no lado esquerdo, onde se concentram as estruturas responsáveis pela fala, e aos 8 anos de idade era incapaz de se comunicar. Dez meses depois que o hemisfério malformado foi retirado, Alex começou a se expressar com sentenças complexas, num exemplo dramático de como a massa encefálica consegue se rearranjar. Mas o fato é que pequenas metamorfoses neurológicas ocorrem todos os dias de nossa vida: a plasticidade é também o mecanismo pelo qual o cérebro responde ao mundo externo. Assim, áreas mais requisitadas por algum tipo de aprendizado, como o estudo musical, podem transformar-se em verdadeiros latifúndios neuronais. As conseqüências de constatar a maleabilidade do cérebro são profundas. Com isso, a velha disputa sobre quem molda o comportamento humano, a natureza ou a cultura, pode estar fadada a resolver-se num empate. Embora condicione de muitas maneiras a nossa experiência do mundo, o cérebro também possui uma capacidade espantosa de reconfigurar-se de acordo com a informação que recebe de fora.

Enquanto ajudam a compor uma nova "teoria geral do cérebro", cientistas interessados em arte fazem achados num terreno anteriormente percorrido apenas por filósofos e críticos culturais. Por exemplo: o que é a beleza? Numa experiência realizada no University College de Londres, Semir Zeki e sua equipe pediram a um grupo de pessoas que classificassem 300 pinturas como belas, feias ou neutras, numa escala de 1 a 10. Depois, as mesmas pinturas lhes foram reapresentadas, enquanto seus cérebros eram monitorados numa máquina de ressonância magnética. Uma gama diversa de estruturas cerebrais reagiu durante a experiência. Concluiu-se, no entanto, que o córtex orbito frontal medial e o córtex motor eram as áreas de fato ligadas ao julgamento do belo. O córtex orbito frontal medial, relacionado ao prazer e às recompensas, apresentou atividade mais intensa diante de quadros belos. A atividade era maior para um quadro que recebera nota 9 do que para um quadro nota 7. O oposto aconteceu com o córtex motor: maior atividade diante da feiúra. Como essa estrutura controla os movimentos, pode-se supor que a visão de algo feio deixa o corpo pronto a reagir, se necessário: se alguém diz ter vontade de "fugir" diante, digamos, de uma obra do artista brasileiro Tunga, talvez não esteja usando apenas uma figura de linguagem. "Tempos atrás, se você dissesse estar maravilhado com uma obra de arte, eu não teria uma maneira objetiva de verificar isso", diz Zeki. "Agora, as máquinas de neuroimagem nos permitem avaliar estados subjetivos. Melhor, permitem quantificá-los, pois a atividade numa região do cérebro tende a ser proporcional à intensidade declarada da experiência. Filósofos especulam sobre a beleza. Eu diria que ela é um aumento de fluxo sanguíneo na base do lobo frontal."

Semir Zeki escreveu um livro em parceria com o pintor francês Balthus e recita de memória trechos de poetas como T.S. Eliot. Ele diz que aprendeu com os artistas – "neurologistas intuitivos", que exploram e desvendam regras da percepção. Ele gosta de citar uma frase de Picasso: "Seria muito interessante preservar fotograficamente as metamorfoses de uma pintura. Talvez assim se pudesse descobrir o caminho percorrido pelo cérebro para materializar um sonho". Segundo Zeki, é isso que a neurociência começa a fazer. Desvendando um cérebro que calcula, mas também cria. E é tão sutil quanto as musas ou o espírito.

Arte para quê?

Quem pensa nas artes como um produto do cérebro logo chega a outras questões. Por que o órgão mais complexo do corpo nos capacita a criar pinturas e poemas? Qual a função dessas atividades? Será que despender energia inventando batidas de tambor e desenhos para a caverna ajudou nossos ancestrais a sobreviver? Essas perguntas remetem ao naturalista inglês Charles Darwin e sua teoria da evolução. Darwin refletiu sobre uma arte em especial – a música – e concluiu que ela teve papel evolutivo. Como a cauda nos pavões, ela nos ajudava a atrair o sexo oposto. Era uma ferramenta a mais do processo que Darwin chamou de "seleção sexual". Essa é uma de suas teses mais controvertidas. Para os cientistas que discordam, a arte é apenas um subproduto do aparato sensorial. O fato de alguns estímulos nos darem prazer fez com que inventássemos formas de ter acesso a eles repetidamente. Para o psicólogo canadense Steven Pinker, arte é um "doce mental" – dispensável mas saborosa. Ainda assim, Darwin pode estar certo? O fato de astros do rock, mesmo com as rugas de Mick Jagger, terem muito mais parceiras do que um homem comum seria uma confirmação da tese do papel da música na seleção sexual. Seria mesmo? Em parte sim, mas Jagger as atrai pela música, pela fama, pela riqueza ou pelo poder hipnótico sobre as massas? O debate continua. Só se sabe com certeza que, entre todos os grupos de hominídeos que disputavam recursos escassos na Idade do Gelo, o mais bem-sucedido foi o que encontrou tempo para decorar com pinturas as paredes das cavernas.




http://veja.abril.com.br/260907/p_098.shtml

Neuroestética busca princípio biológico do belo

Neuroestética busca princípio biológico do belo
Cientistas estudam como o cérebro é estimulado por quadros, esculturas, peças de música e imagens de dança
Márcia Foletto/17-04-2003
Marilia Duffles
A habilidade de Aleijadinho
para infundir vida em suas figuras
da paixão é tão impressionante
quanto as próprias
esculturas. Igualmente atordoante
é a capacidade de Leonardo
da Vinci de capturar a
natureza humana com meras
pinceladas. E a qualidade orgânica
da escultura “Boy jockey
and horse” também é inacreditável,
dada sua origem
helenística. Como artistas em
séculos tão distantes foram
capazes de retratar a mesma
gestalt criativa?
O trabalho de Da Vinci como
cientista certamente influenciou
sua arte e simultaneamente
o levou a refletir sobre
esse enigma. Ele com razão
se voltou para a “tela”
mental em nossas cabeças,
concluindo que o olho tem dez
funções e que embora as imagens
viajem da frente do olho
para a imprensiva (agora chamada
retina), elas na verdade
se formam no sensus communis
(o cérebro).
Séculos mais tarde, filósofos
alemães seguiram esse raciocínio.
Schopenhauer sabiamente
acreditava que as cores
existem dentro do observador,
e não fora dele. E Immanuel
Kant disse “devemos examinar
quanto do conhecimento
depende da contribuição
formal do cérebro”.
Estudos mostram que
a visão é um ato criativo
Semir Zeki, professor de
neurobiologia na University
College London, prestou homenagem
científica a isso. Sua
pesquisa sobre o sistema visual
do cérebro mostra que o
gênio presciente de artistas como
Da Vinci foi expor e expressar
em seu trabalho a fisiologia
cerebral. A pesquisa fez com
que ele lançasse uma cruzada
internacional, o Instituto de
Neuroestética (a raiz grega de
“estética” quer dizer tanto conhecimento
quanto beleza).
A pesquisa de neurociência
do último quarto de século explora
isso explicando como nós
enxergamos. A visão, demonstra
Zeki, é um ato criativo. Diante de
uma imagem, o cérebro procura
os traços necessários e (como
uma caricatura faz) destila a essência
do que vê, por causa de
sua memória limitada. Ele descobriu
ainda que o cérebro analisa
separadamente, em regiões
diferentes, atributos da imagem
como forma, movimento, cor,
textura. O córtex visual é dividido
em cerca de duas dúzias de
áreas especializadas.
Quando Da Vinci disse “as
cores mais agradáveis são as
que constituem oposições”, ele
estava prescientemente se referindo
à fisiologia das cores
complementares, não descoberta
até o século XX. A cor é
percebida quando o cérebro
compara comprimentos de ondas
refletidos em superfícies.
Arranjadas em pares opostos,
células ativadas pelo vermelho
são inibidas pelo verde, e viceversa.
O mesmo vale para outras
combinações.
São esses blocos de construção
visual utilizados pelo cérebro
para formar uma imagem
mental que os artistas também
usam, intuitivamente. Não é
surpreendente que Aleijadinho
tenha representado o movimento
melhor do que qualquer
fotografia. Ele esculpia gestos
que apelavam especificamente
para as células cerebrais que
reagem ao movimento. Ao
abandonar inteiramente a cor
numa pintura ou escultura, comos
nos móbiles negros de Alexander
Calder, os artistas minimizam
a ativação de células
sensíveis à cor, enquanto estimulam
ao máximo as áreas sensíveis
ao movimento.
A arte moderna também fornece
um importante paralelo visual
para a preferência do cérebro
por estímulo visual específico,
como os quadrados coloridos
e linhas de Piet Mondrian. A
pesquisa de Hideo Sakata, da
Nihon University, em Tóquio,
sobre como percebemos profundidade,
joga luz sobre uma
das mais difíceis habilidades artísticas.
Ele descobriu que macacos
(que possuem sistema visual
análogo ao nosso) têm neurônios
que combinam dicas de
profundidade (sombreamento,
textura) com perspectiva linear.
Também é possível entender
a música a partir de nossa arquitetura
neural. Ouvir música envolve
pensamento metafórico,
com a área do cérebro ligada à
linguagem percebendo o ritmo,
e sua área visual o tom.
Células explicam o
“contágio” da dança
Como esperado, a dança também
apela ao nosso modus operandi
universal. Quando as pessoas
assistem a filmes de balé
ou capoeira, são ativadas em
seus cérebros as mesmas áreas
usadas para executar aqueles
movimentos. Giacomo Rizzolatti
e sua equipe na Universidade de
Parma, Itália, descobriram que
isso se deve a células chamadas
neurônios-espelho, que imitam
as ações de outros. Imitar outros
é empatizar, usando o mesmo
ensaio mental da linguagem
do corpo do outro para nos botarmos
no lugar deles. E é por isso
que dançar é contagioso.
Mas por que a música tem o
poder de fazer até mesmo o
Príncipe Charles sambar durante
o carnaval? De acordo com
Petr Janata, neurocientista na
Universidade da Califórnia, Davis,
depois de apenas 15 segundos
ouvindo música as mesmas
regiões do cérebro que imitam e
compõem seqüências de ação
são fortemente ativadas — mesmo
que sejamos forçados a ficar
parados. Ezra Pound foi quem
disse melhor: “A música começa
a se atrofiar quando se separa
muito da dança”.
A beleza da neuroestética é a
descoberta dessa essência universal
que une o homem e seus
esforços artísticos a apreciação
da arte. E confirma porque o
samba tão facilmente comunica
a essência de ser brasileiro para
o resto do mundo. 
MARILIA DUFFLES é jornalista,
colaboradora da revista “The
Economist” e do jornal “Financial
Ti m e s ”
A arte é um subproduto da função evolutiva do cérebro’
Para o neurobiólogo Semir Zeki, o prazer que sentimos diante do belo está ligado à aquisição de conhecimento
Divulgação
SEMIR ZEKI: “Qual é o sistema do cérebro para sentir a beleza?”
 Diretor do laboratório de neurobiologia
da University College
London, Semir Zeki é o principal
nome de um campo em expansão:
a neuroestética. Zeki quer
entender o que acontece no cérebro
quando nos deparamos
com algo que julgamos feio, ou
belo. Ele defende que a arte apela
aos mecanismos de aquisição
de conhecimento do cérebro, e
é um subproduto da evolução
(posição que não é unanimidade
em seu meio). Por telefone, de
Londres, Zeki falou ao GLOBO.
Miguel Conde
O GLOBO: Num de seus trabalhos,
o senhor diz que Kant
abriu o caminho para um estudo
científico da arte. Por quê?
SEMIR ZEKI: O que Kant disse
é que para conhecer as coisas
você tem que se perguntar não
apenas sobre as propriedades
das coisas, mas sobre o que a
mente faz com isso, as contribuições
que ela dá. Como o conhecimento
que você obtém
não é apenas das propriedades,
mas também da mediação da
mente, você nunca pode conhecer
o objeto como ele é. Ele não
concebia a beleza como algo
que residisse apenas no objeto.
A questão muda de “o que é o
belo” para “porque, e de que
maneira, percebemos algo como
sendo belo”. Além disso,
Kant, em sua “Crítica do julgamento”,
explorou a maneira como
a arte está relacionada ao
sentimento de prazer e bem estar.
Kant não podia estudar os
mecanismos de recompensa e
prazer do cérebro, mas de certa
maneira essa é uma questão
científica, que pode ser pelo menos
em parte resposta pelo exame
desses mecanismos.
 O senhor diz que há uma relação
entre arte e aquisição de
conhecimento. No entanto,
quando percebemos algo como
belo, é difícil pôr este sentimento
em palavras.
ZEKI: As pessoas imputam muitas
funções à arte, mas elas têm
que entender que a arte é um
subproduto da principal função
evolutiva do cérebro, que é a
aquisição de conhecimento. Esse
é um dado mais fundamental
do que implicações políticas e
sociológicas. O cérebro visual e
o cérebro auditivo levaram milhões
de anos se desenvolver. O
cérebro verbal tem alguns milhares
de anos, no máximo. Não
é tão refinado quanto os outros.
Portanto, você pode comunicar
pela visão coisas que não pode
descrever pela linguagem. Eu
posso sentar e descrever para
você em 20 volumes a “Pietá” na
Basílica de São Pedro, mas dez
segundos olhando-a terão um
impacto maior. Você terá um conhecimento
emocional daquilo
que palavras não podem descrever.
O conhecimento não é apenas
o que se adquire ou expressa
pela linguagem. Há um conhecimento
visual. Quando Michelangelo
estava pintando, havia
teorias sobre proporção, de
Vasari, Alberti, Leonardo, mas
ele dizia “não quero usar uma
régua, pois tenho
um sistema superior,
que está no
meu olho”. Hoje
diríamos, no cérebro.
 E no caso da
arte abstrata?
ZEKI: Malevitch
dizia: “o artista
não tem necessidade
do objeto
como tal”. O que
devemos fazer é olhar e ver o
que vem do cérebro. Ele veio
com linhas e ângulos retos, e alguns
círculos. Há uma grande
parte do cérebro que responde
diretamente a linhas retas. Elas
são úteis para construir imagens
de formas. Mondrian disse
“eu quero saber quais são os
constituintes essenciais de todas
as formas”. Se você olha outra
escola moderna, o trabalho
dos cubistas, posso citar o crítico
de arte Jacques Riviere: “o
cubismo é destinado a dar à pintura
sua verdadeira função, que
é representar objetos como são,
não como aparecem
a cada momento”.
 Algo pode dar
prazer e ser inútil
de um ponto de
vista evolutivo?
De que maneira,
por exemplo,
perceber um pôrdo-
sol como bonito
ajuda na luta
pela vida?
ZEKI: O sistema de prazer está
profundamente ligado à evolução,
mas não se deve achar que
se vai encontrar uma ligação direta
e óbvia entre os dois, pois
muito freqüentemente são subprodutos.
O prazer é algo que o
cérebro pode usar em outras situações
que não as originais, ligadas
a beber, comer, ao sexo,
mas a origem é essa.
 O senhor pode falar um pouco
sobre o que acontece no cérebro
quando percebemos algo
como sendo bonito ou feio?
ZEKI: As áreas ativadas em ambos
julgamentos são as mesmas,
mas em níveis diferentes.
Por exemplo, nos dois casos o
córtex motor, responsável pelo
movimento, é acionado. Quando
vemos algo que consideramos
feio, ele é ativado com mais
intensidade, como se quiséssemos
fugir. Quando achamos algo
bonito, a intensidade é menor,
mas também está presente.
 Como artistas, filósofos e
historiadores da arte têm reagido
ao seu trabalho?
ZEKI: Os artistas são os mais
entusiasmados. Entre filósofos e
críticos, há reações divididas.
Recentemente li um livro de crítica
de arte contemporânea e
havia muita discussão sobre como
certas obras podem ser ao
mesmo tempo dolorosas e prazerosas
de se ver. É incrível que
esse tipo de discussão ocorra
sem nenhuma referência aos
mecanismos de dor e prazer do
cérebro, que são bem estudados.
Não podemos trabalhar em
isolamento. As questões parecem
diferentes, mas são complementares.
Os historiadores
estudam as variações no conceito
de belo em diferentes culturas.
Eu faço uma pergunta ao
mesmo tempo mais elementar e
maior: qual é o sistema do cérebro
para sentir a beleza? Para isso,
tenho que ir além de diferenças
culturais, procurar recorrências,
e aí há um trabalho histórico.
Se você pesquisa a literatura
do amor, por exemplo, verá
alguns conceitos que emergem
em todas as épocas e lugares.
 Há características universais
em nossas idéias sobre o
amor?
ZEKI: Sim, e posso
dar os dois
exemplos supremos
disto. Um é o
conceito da unidade
em amor. O
forte desejo de
estarem unidos
um ao outro que,
no auge da paixão,
dois amantes
sentem. E, relacionado,
está o
conceito de aniquilamento
no amor. Como essa
união é impossível, há desejo de
se aniquilar para se unir em outro
mundo, diferente do nosso.
Isso ocorre em “Tristão e Isolda”,
ocorre em lendas árabes, na
história hindi de Krishna, em
Dante, em Petrarca. É um tema
universal. O que as pessoas tentam
fazer é saber se esses autores
leram um aos outros, e nem
sempre se encontra uma relação.
Mas a relação está na organização
do cérebro, porque somos
todos humanos.
 E quanto à literatura medieval
dos trovadores, onde
um tema freqüente é o da
mulher inatingível?
ZEKI: Claro, mas nos trovadores
a consumação se dá pela
imaginação. No próprio Dante,
a imaginação reina suprema. O
amor de Dante por Beatriz era
um amor in absentia, pois ela
estava morta. Ele diz, em “La
Vita Nuova”, que vai escrever
sobre “la gloriosa donna della
mia mente”. É uma construção
inteiramente mental.
 Existe um padrão ou estrutura
universal que o cérebro sempre
reconhecerá como bela?
ZEKI: Acho provável (hesita)...
Acho que todos cérebros humanos
têm um sistema de beleza,
todos são capazes de
classificar algo como sendo
bonito. Mas se há uma característica
aplicável em todas as
sociedades, é uma questão difícil,
não tenho resposta.
 Seria possível,
analisando o
que acontece no
cérebro quando
c on te mp la mo s
uma obra de arte,
criar uma pílula
que provocasse
as mesmas
reações?
ZEKI: D e ix e -m e
responder de um
modo oblíquo.
E u s i n t o um
enorme prazer em ler, carrego
comigo o tempo todo, os “Quatro
quartetos”, de T.S. Eliot. Poucos
poemas na língua inglesa me
deram tanta satisfação e prazer
quanto esse. A questão é: porque
eu gosto tanto desse poema?
Há muitas razões. O uso de
linguagem, a metáfora, o uso do
ambíguo, a aplicação de versos
a muitas situações diferentes, o
senso de humor. O estímulo verbal
evoca um prazer que é causado
por meio de reações químicas.
Se eu tivesse um frasco e
misturasse elementos químicos
teria o mesmo prazer de ler
Eliot? A resposta é provavelmente
não.
http://www.neuroesthetics.org/news/pdf/darwin4.pdf