domingo, 27 de fevereiro de 2011

Morre o médico do corpo e do pensamento humano:Moacir Scliar



"Não preciso de Silêncios"assim falou Scliar.O poeta clínico da vida, debruçado sobre a literatura,encantou-se na morte.Deixou-nos, deixando seu pensamento, sua obra, farta de humanismo. Aparentemente em polos opostos- medicina e literatura, as duas não se contradizem em sua obra, ao contrário, se tecem juntas e se complementam como ajuste e compreensão do homem e o mundo.O senhor da gentileza, deixa-nos um grande legado, suas obras , sua poesia - a das dores do homem, expostas em sua trama literária. Trouxe-nos as dores e as histórias do povo, respeitou a oralidade e tomou-a para bordar sua literatura.Seus prêmios foras poucos, três Jabutis, mas ainda foram pouco para a dimensão de sua obra.Um dos poucos escritores brasileiros conhecidos mundialmente, citado pela critica americana como um dos cem maiores escritores e que trabalha com a temática judaica.Seus contos lembram Kafka.Seu passeio literário passa pelo romance, contos ensaio, colunista.Sobe mais uma folha humana ascende ao espaço e aO HUMUS da terra.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Salvador, Bahia

RETIRADO -CLIQUE NO TÍTULO



O filósofo espanhol García Morente propõe uma útil distinção entre vivência e informação abstrata. O segundo termo da distinção não é bem este. Como no entanto escrevo longe de minha biblioteca, valho-me de expressão que tem valor equivalente, ou pelo menos exprime o que está de acordo com o meu propósito. A alusão ocorre-me a propósito de Salvador, cidade que mais uma vez visito. O viajante que não a conheça pode figurá-la de muitos modos. O mais corrente é aquele difundido pela mídia e pela indústria publicitária. Mais exatamente, pela indústria do turismo, uma das forças contemporâneas que reduziram o mundo às proporções de uma província.

Hoje todo mundo viaja por todo o mundo relatando suas viagens e façanhas para todo mundo. Afora os pobres definitivamente pobres, alguns sedentários incuravelmente preguiçosos e alguns sábios e obscuros seguidores de Alberto Caeiro, ciente de que o mundo é do tamanho da sua aldeia, o resto da humanidade passou a viajar. Isso significa que viajar tornou-se antes de tudo um transtorno, uma dor de cabeça para sedentários do meu tipo, conscientes de que a melhor viagem é ficar em casa.

Mas noto que minhas digressões incorrigíveis fizeram-me esquecer a distinção proposta por García Morente. Quem não conhece Salvador, mas supõe conhecê-la, tende a acreditar nas informações abstratas procedentes da mídia e da indústria do turismo. Assim, reduz a riqueza e variedade desta cidade a comidas típicas, baianas estereotipadas fazendo pose para os guias turísticos do Pelourinho, as festas ruidosas da cultura negra somadas a outros clichês culturais, algumas canções de Caymmi e as imagens da cidade que todos conhecem.

Longe de mim desmentir a veracidade aferível nas imagens e representações acima condensadas. Minha intenção é apenas ressaltar que não dizem o que é a cidade real, a cidade enquanto expressão da minha vivência, para lembrar ainda a distinção proposta por García Morente. A cidade de Salvador que conheço e tenho vivido durante minhas últimas passagens por aqui é uma cidade inteiramente outra. Tão outra, afirmo, que pareceria irreal ou abstrata para o turista ou aquele ávido catador de imagens recolhidas de guias turísticos e representações estereotipadas de cenários perseguidos pelos turistas do mundo. A cidade de Salvador que tenho ultimamente visitado quase que se reduz a um bairro, a Graça. Mais exatamente, a uma avenida, a Euclydes, com y, da Cunha. Aqui me entretenho com Aloísio e Isa, meus tios queridos, Gal, minha prima adorável, Márcio e Suzy, uma cachorrinha que estou aprendendo a amar. Como nunca é tarde para a gente se corromper, afeiçoei-me a Suzy como me afeiçoaria a uma amiga de língua e hábitos intraduzíveis.

Diante do que já viajei sem pôr os pés fora do apartamento ou da minha privacidade, fica já evidente que não sirvo como guia nem mapa para quem queira viajar ou precise figurar dentro de si próprio uma ideia qualquer de Salvador. Aprendi desde muito que a viagem real que empreendo é a viagem por dentro de mim próprio, a viagem que dentro de casa me transporta ao mundo, assim como a viagem literal, a que nos perde por ruas e cidades, leva-me de volta para mim próprio.

Mas nem tanto à casa, como pareço sugerir, nem tanto ao mundo, que aparento depreciar. Na verdade, ando pelas ruas e nisso encontro muito prazer. Apesar das suas muitas ladeiras, que de algum modo me recordam as de São Paulo onde à deriva das ruas tanto suei e por vezes até me fatiguei, descortino novas paisagens, detalhes da vida e de fachadas antes desconhecidas ou simplesmente despercebidas. Recordam-me ainda Atenas e muito da topografia grega que bem me ajudaram a compreender porque os gregos inventaram os jogos olímpicos.

Também converso com gente, essa gente que vive e precisa viver nas ruas por dever de ofício ou simples hábito, ou ainda modo pessoal de ser. Aprecio saber um pouco da vida da cidade a partir da perspectiva dessa fração obscura dos seus habitantes: o porteiro, o zelador, a doméstica, o jornaleiro da praça, também o da esquina, o taxista, os que desempenham funções subordinadas nos shoppings e supermercados. E como não seguir com o olhar fascinado a beleza negra da mulher baiana, a beleza mulata, a beleza branca ou loura, tantos modos de beleza e sedução que transitam pelas ruas por vezes anunciando sua iluminadora passagem (afinal, como esquecer que baiano não nasce, estreia, como escreveu Ivan Lessa?), por vezes alheia ao olhar que a segue e se perde no fluxo sem repouso das ruas?

Noto agora que a crônica pede já para acabar e no entanto nada sequer mencionei do que seria previsível em qualquer relato de um viajante pela cidade de Salvador. É compreensível que, depois do que acima escrevi, o leitor se desiluda de esperar alguma alusão ao elevador Lacerda, ao mercado Modelo, ao Pelourinho, ao centro histórico com suas magníficas fachadas coloniais, ao acervo precioso do nosso passado barroco... O que talvez pareça espantoso, senão inadmissível, é o fato de chegar aonde cheguei sem pingar uma onda do mar da Bahia, do mar de Jorge Amado e Caymmi nestas linhas áridas. Ademais, não obstante a disponibilidade vigilante de minha prima Gal, resisto ainda a visitar a Exposição Rodin, a Fundação Pierre Verger, a Fundação Casa de Jorge Amado, a Aliança Francesa...

Como compreender ou admitir que o viajante, não importando o quanto viaje através de si próprio, suprima o mar desta cidade tão cenográfica e oceânica? Mas que posso eu acrescentar numa crônica doméstica ao mar cantado por Caymmi, ao mar de Jorge Amado que tão indizivelmente desatou minha imaginação de leitor adolescente? Melhor, portanto, deixar que o leitor viaje a seu modo, com ou sem guia turístico, pondo de lado esse viajante excêntrico que sai de casa para continuar fechado na sua própria casa, ainda quando a casa seja alheia. Tudo que me resta é dar razão ao leitor. Não bastasse tanto, concluo com uma volta na fechadura que sem dúvida o convencerá de que sou definitivamente um turista ou viajante perdido: a melhor viagem é sempre viajar sem sair de casa, ou viajar para logo voltar para casa.
Salvador, 10 de fevereiro de 2011.
POSTADO POR FERNANDO ÀS 18:36

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Blog do Gutemberg: Quadrinhos abstratos exploram outros limites gr�ficos

Blog do Gutemberg: Quadrinhos abstratos exploram outros limites gr�ficos

Ensino médio: a pior etapa da educação do Brasil

Série especial do iG mostra por que os adolescentes perdem interesse pela escola, acabam desistindo ou não aprendem o que deveriam

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 21/02/2011 07:00A+A-

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Há duas avaliações possíveis em relação à educação brasileira em geral. Pode-se ressaltar os problemas apontados nos testes nacionais e a má colocação do País nos principais rankings internacionais ou olhar pelo lado positivo, de que o acesso à escola está perto da universalização e a comparação de índices de qualidade dos últimos anos aponta uma trajetória de melhora. Já sobre o ensino médio, não há opção: os dados de abandono são alarmantes e não há avanço na qualidade na última década. Para entender por que a maioria dos jovens brasileiros entra nesta etapa escolar, mas apenas metade permanece até o fim e uma pequena minoria realmente aprende o que deveria, o iG Educação apresenta esta semana uma serie de reportagens sobre o fracasso do ensino médio.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

E-book para download: “Desafios do Jornalismo”

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Por Bruno Cardoso em 01/Feb/2011

Acaba de ser lançado o e-book “Desafios do Jornalismo”, o último relatório do OberCom. O livro baseia-se em dados recolhidos após a realização de um inquérito dirigido a jornalistas dos principais meios de comunicação social de Portugal. O objetivo deste relatório não é somente caracterizar sócio-demograficamente os jornalistas portugueses, mas sim obter uma percepção dos valores, práticas e atitudes que caracterizam o momento atual da profissão. Isso é, compreender a forma como o jornalista olha hoje para a sua profissão e para a envolvente. Clique aqui para fazer o download.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

que afinal é notícia?

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Por Bruno Cardoso em 16/Feb/2011

e um cachorro morde um homem, isso não é notícia. Se o homem morde o cachorro, também não é notícia. Se o homem estivesse pagando ao cachorro por seus favores sexuais, aí sim seria notícia. Mas não seria uma notícia de primeira página. Para ser manchete, o cachorro teria de ser menor de idade e o homem deveria ter um cargo importante no governo. Ou o cachorro e o homem deveriam ter, ambos, o mesmo sexo – a menos que trabalhassem no cinema, o que transformaria a manchete numa notinha da coluna de fofocas. Se o cachorro tivesse falsificado o nome de alguém bastante conhecido num cheque, aí seria notícia de novo. Agora, se o cachorro fosse um grande anunciante, …

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Lula, Dilma e a velha mídia

via blog do Miro
Reproduzo artigo de Emir Sader, publicado no seu blog no sítio Carta Maior:

O esporte preferido da mídia é fazer comparações da Dilma com o Lula. Sem coragem para reconhecer que se chocaram contra o país – que deu a Lula 87% de apoio e apenas 4%b de rejeição no final de um mandato que teve toda a velha mídia contra – essa mídia busca se recolocar, encontrar razões para não ser tão uniformemente opositora a tudo o que governo faz. O melhor atalho que encontraram é o de dizer que as coisas ruins, que criticavam, vinham do estilo do Lula, que Dilma deixaria de lado.

Juntam temas de política exterior, tratamento da imprensa, rigor nas finanças públicas, menos discurso e mais capacidade executiva, etc., etc. Como se fosse um outro governo, de outro bloco de forças, com linhas politica e econômica distinta. Quase como se a oposição tivesse ganho. Ao invés de reconhecer seus erros brutais, tratam de alegar que é a realidade que é outra.

Como se o modelo econômico e social – âmago do governo – fosse distinto. Como se a composição do governo fosse substancialmente outra, como partidos novos tivessem ingressado e outros saído do governo. Apelam para o refrão de que “o estilo é o homem” (ou a mulher), como se a crítica fundamental que faziam ao Lula fosse de estilo.

No essencial, a participação do Estado na economia está consolidada e, se diferença houver, é para estendê-la. Os ministérios econômicos e sociais são mais coerentes entre si, tendo sido trocados ministros de pastas importantes – como comunicação, saúde e desenvolvimento – para reafirmar a hegemonia do modelo de continuidade com o governo Lula.

A política externa de priorização das alianças regionais e dos processos de integração foi reiterada na primeira viagem da Dilma ao exterior, à Argentina, assim como no acento no fortalecimento dos processos latino-americanos, como a ênfase na aproximação com o novo governo colombiano e a contribuição ao novo processo de libertação de reféns comprova.

O acerto das contas publicas se faz na lógica do compromisso do governo da Dilma de estabelecimento de taxas de juros de 2% ao final do mandato, alinhadas com as taxas internacionais, golpeando frontalmente o eixo do principal problema econômica que temos: as taxas de juros reais mais altas do mundo, que atraem o capital especulativo. A negociação do salário mínimo se faz com o apoio do Lula. A intangibilidade dos investimentos do PAC já tinha sido reafirmada pelo Lula no final do ano passado.

Muda o estilo, ênfases, certamente. Mas nunca o Brasil teve um governo de tanta continuidade como este, desde que se realizam eleições minimamente democráticas. A velha mídia busca pretextos para falar mal de Lula, no elogio a Dilma, tentando além disso jogar um contra o outro. A mesma imprensa que não se cansou de dizer que ela era um poste, que não existiria sozinha na campanha sem o Lula, etc., etc., agora avança na direção oposta, buscando diferenças e antagonismos onde não existem.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Celso Amorim: “É preciso respeitar a decisão do povo de cada país”

por Marco Aurélio Weissheimer, em Carta Maior
POR VIOMUNDO
O embaixador Celso Amorim, ministro de Relações Exteriores do Brasil por mais de oito anos (dois mandatos do governo Lula e mais um período no governo Itamar Franco), iniciou a conversa telefônica, direto da embaixada do Brasil em Paris, chamando a atenção para a complexidade e o dinamismo do cenário internacional e para o baixo nível de conhecimento que se tem sobre a situação de muitos países. Em entrevista exclusiva à Carta Maior, concedida no início da tarde desta sexta-feira, Celso Amorim analisa os recentes acontecimentos no Oriente Médio e no norte da África e suas possíveis repercussões. Como que para ilustrar o dinamismo mencionado por Amorim, quando a entrevista chegou ao fim, Hosni Mubarak não era mais o presidente do Egito.

Na entrevista, o ex-chanceler brasileiro chama a atenção para o fato de que as revoltas populares que o mundo assiste agora, especialmente na Tunísia e no Egito, acontecem em países considerados “amigos do Ocidente” que não eram alvo de nenhum tipo de sanção por parte da comunidade internacional. “Isso mostra que a posição daqueles que defendem sanções contra o Irã é equivocada”, avalia. Amorim acredita que uma mudança política no Egito terá impacto em toda a região, cuja extensão ainda é difícil de prever. E defende a política adotada pelo Brasil nos últimos anos apostando na capacidade de diálogo do país, reconhecida e requisitada internacionalmente.

CARTA MAIOR: Qual sua avaliação sobre a rebelião popular no Egito e seus possíveis desdobramentos políticos e geopolíticos na região?

Celso Amorim: Uma primeira característica que considero importante destacar é que os protestos que estamos vendo agora são movimentos endógenos. É claro que eles se valem de novas tecnologias e de alguns valores modernos, mas são motivados pela situação interna destes países. O Egito e a Tunísia, cabe assinalar também, não estavam sob sanções por parte do Ocidente. Isso mostra que a posição daqueles que defendem sanções contra o Irã é equivocada. Sanções só reforçam internamente um regime. Uma das expectativas das sanções contra o Irã era atingir a Guarda Revolucionária. Na verdade, só atingem o povo. O Iraque foi submetido a sanções durante anos e Saddam só ficava mais forte. Não havia, repito, sanções contra a Tunísia e o Egito, países considerados amigos do Ocidente e aliados inclusive na guerra contra o terrorismo, implementada pelos Estados Unidos.

Acredito que uma mudança política no Egito terá certamente um impacto em toda região, podendo inclusive provocar uma mudança de relacionamento com países como Israel e Síria. Mas isso dependerá da evolução dos acontecimentos.

CARTA MAIOR: A sucessão de acontecimentos semelhantes em países do Oriente Médio e do Norte da África já pode ser considerada como uma onda capaz de expandir para outros países também?

Celso Amorim: Potencialmente, sim. Mas é difícil prever. Depende dos desdobramentos do Egito. Não há dúvida que Mubarak sairá [enquanto concedia a entrevista, a renúncia do ditador egípcio foi confirmada]. A questão é saber como ele sairá. Certamente haverá uma mudança no regime político do Egito. Não sabemos ainda em que intensidade. Mas é importante ter em mente que as duas forças organizadas no país são as forças armadas e a Fraternidade Muçulmana. A Fraternidade Muçulmana não é nenhum bicho-papão. Cabe lembrar que muita gente tem citado a Turquia (que tem um partido islâmico no poder) como um modelo de caminho possível para o Egito.

A influência dos acontecimentos no Egito deve se manifestar em ritmos e intensidades diferentes, dependendo da realidade de cada país. Como a Tunísia nos mostrou, é preciso esperar o inesperado.

CARTA MAIOR: A diplomacia ocidental foi pega de surpresa por esses episódios?

Celso Amorim: Certamente que sim. O próprio presidente Obama admitiu isso ao falar dos relatórios dos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Ninguém estava esperando o que aconteceu na Tunísia que acabou servindo de estopim para outros países como Yemen e Egito. Nos mais de oito anos que trabalhei como chanceler nunca ouvi uma palavra de crítica sobre a Tunísia. E alguns conceitos fracassaram. Entre eles o de que se o país é pró-ocidental é necessariamente bom. Os Estados Unidos seguem poderosos no cenário internacional, mas frequentemente superestimam essa influência.

Há algumas lições a serem tiradas destes episódios. A primeira delas é que é preciso respeitar os movimentos internos e não querer impor mudanças a partir de fora. As revoltas que vemos agora (na Tunísia e no Egito) iniciaram dentro destes países contra governos pró-ocidentais e não nasceram com características antiocidentais ou anti-imperialistas.

CARTA MAIOR: O Oriente Médio é hoje uma das regiões mais conflituosas do planeta. Os levantes populares que estamos vendo podem ajudar a melhorar esse quadro?

Celso Amorim: Creio que teremos agora um quadro mais próximo da realidade. Há uma certa leitura simplificada do Oriente Médio que não leva em conta o que o povo desta região pensa. Não é possível ignorar a existência de organizações como a Fraternidade Muçulmana ou o Hamas. Se ignoramos fica muito difícil traçar uma estratégia que leve a uma paz estável.

CARTA MAIOR: O jornalista israelense Gideon Levy escreveu ontem no Haaretz dizendo que o Oriente Médio não precisa de estabilidade, referindo-se de modo à crítica à suposta estabilidade atual, que seria, na verdade, sinônimo de pobreza, desigualdade e injustiça. Qual sua opinião sobre essa avaliação?

Celso Amorim: De fato, a desigualdade social é uma das causas muito fortes dos problemas que temos nesta região. É um fermento muito grande para revoltas. A verdadeira estabilidade não se resume a ter um determinado governante no poder. Não basta ter eleição. É preciso aceitar o resultado da eleição. Estamos falando de uma região muito complexa, com sentimentos anticoloniais muito fortes. Esse quadro exige uma flexibilidade muito grande e capacidade de diálogo com diferentes interlocutores.

CARTA MAIOR: Qual sua análise sobre a evolução dos acontecimentos no Oriente Médio à luz da política externa praticada durante sua gestão no Itamaraty?

Celso Amorim: Como referi antes, nós procuramos manter uma relação ampla com diferentes interlocutores. As críticas que sofremos vieram mais da mídia brasileira do que de outros países. Nossa política em relação ao Irã, por exemplo, não foi para mudar esse país. O objetivo era contribuir para a paz, tentando encontrar uma solução para a questão nuclear. Quem mudou de ideia no meio do caminho foram os Estados Unidos. O próprio El Baradei (ex-diretor geral da Agência de Energia Atômica), que agora voltou a cena no Egito, chegou a dizer, comentando a Declaração de Teerã, que quem estava contra ela é porque, no fundo, não aceitava o sim como resposta.

Acredito que nós precisamos de países com capacidade de ver o mundo com uma visão menos maniqueísta. Agora, todo mundo está chamando Mubarak e Ben Ali de ditadores. Até bem pouco tempo não era assim. A maioria da imprensa internacional não os chamava de ditadores. O importante é saber respeitar a vontade e a decisão do povo de cada país. O Brasil tem essa capacidade reconhecida mundialmente. Várias vezes fomos requisitados para ajudar na interlocução entre países. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por exemplo, nos pediu para ajudar a retomar o diálogo com a Síria. O Brasil tem essa capacidade de diálogo que não demoniza o outro. Essa é a pior coisa que pode acontecer na relação entre os países: demonizar o outro. Não se pode, repito, ignorar a presença da Fraternidade Muçulmana ou do Hamas. Podemos não gostar destas organizações. Isso é outra coisa. Mas estamos que estar prontos para conversar.

Espero que o Brasil faça jus às expectativas que existem sobre ele, sobre sua capacidade de diálogo e interlocução. Não se trata de mania de grandeza. Nós temos essa capacidade de diálogo e ela é requisitada. Seguramente o Brasil tem a possibilidade, e eu diria mesmo a necessidade, de ter essa participação e ajudar a construir a paz. Até porque esses fatos nos afetam diretamente. Basta ver o preço do petróleo que está aí aumentando em função dos conflitos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ESTÉTICA DO CANGAÇO EM LIVRO DE LUXO


CLIQUE E VÁ AO ORIGINAL

Por Antonio Cardoso - Assessor de Imprensa da Revista Nordeste VinteUm
A literatura de cordel e o cinema novo heroificaram o cangaço e seus líderes mais notórios, Lampião e Corisco. Bandidos sangüinários, eles souberam usar, antes das letras e do celulóide, uma outra mídia para se autopromover e intimidar. Nos anos 30, Lampião deixou que o mascate libanês Benjamin Abrahão fotografasse a si e a seu bando, uma história já contada pelos cineastas Paulo Caldas e Lírio Ferreira no longa "Baile Perfumado" (1997).
O diretor-presidente da Revista Nordeste VinteUm, Francisco Bezerra, prestigiou na última quinta-feira, 26 de agosto, no Museu do Estado de Pernambuco o lançamento do livro “Estrelas de Couro – A Estética do Cangaço”, obra de Frederico Pernambucano de Mello. Resultado de estudo profundo a que se dedicou Pernambucano desde 1997, a obra trata-se de um ensaio interdisciplinar, um livro de arte com mais de 300 fotos históricas.
No prefácio, Ariano Suassuna afirma que foi no início da década de 1970 que conheceu pessoalmente Frederico Pernambucano e travou contato direto com os primeiros resultados de suas pesquisas e reflexões sobre o cangaço – tema que fascina a ambos.

“Ao tempo que apareceu sem lei nem rei, eu ainda não conhecia Frederico Pernambucano, um dos maiores conhecedores do Cangaço com quem já tive oportunidade de conversar. Não conhecia, portanto, sua teoria a respeito da personalidade dos cangaceiros, teoria que procura explicar a psicologia desse nosso herói extraviado através de dois polos principais: o orgulho e aquilo que Frederico Pernambucano chama de o escudo ético”.

Ainda conforme Ariano Suassuna, se todo prefaciador é de certo modo suspeito em seus elogios, deve-se confessar que nesse caso a suspeição aumenta ainda mais. “Vejo que eu e Frederico concordamos em quase tudo o que diz respeito ao Cangaço”, disse o escritor.

Também presente na cerimônia, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, apresenta o livro como “uma leitura imprescindível para todos que tenham, por curiosidade ou profissão, desejo ou dever de melhor saber sobre os nordestinos e sobre o contexto social que fez de nós o que somos: brasileiros que, apesar dos desafios seculares, construímos, neste pedaço quase todo árido do Brasil, uma civilização de mulheres e homens corajosos, solidários e criativos”.
Como as demais obras de Frederico Pernambucano, esse livro vem para o deleito daqueles buscam um conhecimento aprofundado a respeito da cultura de um povo admirado e odiado, os cangaceiros.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

BIBLIOTECA no Bairro Taquaral, URGENTE

Assunto: CENAPEC/BIBLIOTECA ADIR GIGLIOTTI
Para: ju.sampaio@gmail.com


QUERIDOS AMIGOS:

Temos uma BIBLIOTECA no Bairro Taquaral, aberta gratuitamente à
Comunidade de Campinas e Região, hoje um Centro Cultural com diversas
atividades, e estamos ameaçados de ver inviabilizada a continuidade dos
trabalhos que desenvolvemos há quase 10 anos. Todas as despesas são
suportadas pela família Gigliotti.

O prédio onde estamos instalados foi vendido e temos até o dia 31 de
março para a desocupação.

Já encontramos um novo local mas, o aumento dos valores de locação são
impossíveis à Família.

Lançamos um CONVÊNIO DE COOPERAÇÃO PARA A MANUTENÇÃO OPERACIONAL DA CENAPEC/BIBLIOTECA ADIR GIGLIOTTI e estamos confiando que a solidariedade da Comunidade poderá permitir a continuidade dos trabalhos.

Criamos assim algumas frentes de trabalho para viabilizarmos adesões de
Sócios Mantenedores para doaçoes mensais capazes de garantir valores
suficientes para as despesas de Manutenção.

E, se pudermos contar com a força de vocês será maravilhoso.

Tentamos obter concessão de prédio público mas o tempo é insuficiente
para a regularização. E, ainda não se teve conhecimento de algum espaço
capaz de absorver o acervo e as atividades.

Encaminho em anexo uma pequena apresentação e o texto para divulgação do
Convenio acompanhado da Ficha de Adesão.

Desde já agradecemos a atenção.

Aguardamos contato.

Luciana Gigliotti


--
CENAPEC/Biblioteca Adir Gigliotti
(19)3294-7801
www.cenapec.org.br
http://twitter.com/CENAPEC
http://cenapec.blogspot.com

Alemães arriscam prisão por usarem suástica em jogo de cartas - Sociedade - PUBLICO.PT

Alemães arriscam prisão por usarem suástica em jogo de cartas - Sociedade - PUBLICO.PT

Altamiro Borges: A chegada de Lula ao FSM em Dakar

Altamiro Borges: A chegada de Lula ao FSM em Dakar

Altamiro Borges: TV Cultura demite 150 funcionários

ISTO É O GOVERNO DO SR ALCKIMIM, AGUARDEM MAIS PAULOVAS



Altamiro Borges: TV Cultura demite 150 funcionários: "Reproduzo notícia publicada no sítio do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo: A Fundação Padre Anchieta de São Paulo, gestora da TV Cultu..."

domingo, 6 de fevereiro de 2011

“Inventaram” o Nordeste?

Sim. E existe uma data para isso. Idos de 1910. E, mais: não foi deus algum, foi o Homem do saber e da mímesis.

Essa é a idéia central da tese de doutoramento do Professor de História da UFRN Durval Muniz de Albuquerque Júnior, que também está ministrando uma disciplina no Programa de Pós-graduação em História da UFPE. A tese foi apresentada em 1994, na UNICAMP, e circula nas livrarias com edição da Cortez Editora: São Paulo e Editora Massangana: Recife, sob o título de “A invenção do Nordeste e outras artes”.

A obra (merece ser nomeada de Obra) surpreende não apenas pelo título ousado, mas pela sua consistência, estilo e cientificidade. Vem para tirar o sono de muita gente acomodada sob velhos conceitos e signos.

Em seu trabalho, o autor mostra como, até meados da década de 1910, o Nordeste ainda não existia. Não se pensava em “Nordeste”, nem muitos menos eram percebidos os “nordestinos”.


Antônio Conselheiro: o Redentor dos Sertões

O Nordeste emergiu aos poucos, no seio de discursos jornalísticos, artísticos, científicos e literários, e na mídia em geral, sobretudo a partir da obra Os Sertões (1906) de Euclides da Cunha e dos textos regionalistas da década de 1920, sob a assinatura de autores como Gilberto Freyre.

Ao longo do século, foram sendo forjadas as imagens estereotipadas do nordestino cabeça-chata, o paraíba, o sertanejo pobre, raquítico, amarelo, fraco porém forte; o nordestino cangaceiro, messiânico (inspirado nas imagens de Lampião e de Antônio Conselheiro), miserável, ignorante, em oposição ao homem civilizado, educado e cosmopolita do Sul-Sudeste.

Zeferino: Oxen, num foi deus que me criou não, foi?
Voz: Não, Zeferino, foi o Henfil mesmo!

O autor escreve: “É, parece que nossa escritora, defensora da ‘Nordestinidad’, Rachel de Queiroz, tem razão: a mídia tem o olho torto quando se trata de mostrar o ‘Nordeste’, pois eles só querem miséria. (…) Podemos concordar, então, com nossa escritora quando afirma que a mídia não vê o Nordeste como ele é? Não, porque isso seria pleitear a existência de uma verdade para o Nordeste, que não existe.”

Para o autor, os discursos sobre o “Nordeste” e os “nordestinos” são todos articulações de uma poderosa estratégia de etereotipização muito bem montada e reproduzida ao longo do século, de tal forma a “naturalizar” a imagem de um Nordeste seco, pobre e necessitado de ajuda dos sulistas.

E, o autor vai ainda mais longe: “O próprio Nordeste e os nordestinos são invenções destas determinadas relações de poder e do saber a elas correspondente. Não se combate a discriminação simplesmente tentando inverter de direção o discurso discriminatório. Não é procurando mostrar quem mente e quem diz a verdade, pois se passa a formular um discurso que parte da premissa de que o discriminado tem uma verdade a ser revelada. Assumir a ‘Nordestinidad’, como quer Rachel de Queiroz, e pedir aos sulistas que revejam seu discurso sobre o nordestino verdadeiro, vai apenas ler o discurso da discriminação com o sinal trocado, mas a ele permanecer preso.”

O trabalho de Durval Muniz, baseado em alguns princípios metodológicos desenvolvidos e aplicados por Michel Foucault, quais sejam, da arqueologia e da genealogia. Neste estudo, Durval Muniz opera o que Foucault não fez: um projeto arqueo-genealógico, análise esta que permite perceber as relações de força que permeiam os discursos instituintes da idéia de Nordeste enquanto um espaço natural.

(Para mais sobre Foucault, veja o ótimo livro de Roberto Machado, Ciência e Saber – A trajetória da arqueologia de Foucault)

O livro A Invenção do Nordeste custa cerca de R$36,00 nas principais livrarias da cidade.

Internet consolida el sueño de Gutenberg"


Germán Sánchez Ruipérez, empresario y editor. A finales de 2011 pondrá en marcha el gran proyecto cultural del año: Casa del Lector, con una inversión de 30 millones de euros

BRAULIO GARCÍA / PEIO H. RIAÑO MADRID 02/02/2011 08:20
POR PUBLICO ES

Germán Sánchez Ruipérez, la semana pasada, en Madrid.Mónica Patxot
Tiene su lector digital y lo utiliza. Este salmantino de 84 años de edad es uno de los empresarios más influyentes en la cultura de este país y tiene entre manos la culminación a finales de año si las obras no se retrasan más a 30 años dedicados a la fundación que lleva su nombre: Casa del Lector, en las naves del Matadero de Madrid, en la que ha invertido cerca de 30 millones de euros para seguir fomentando y estudiando los hábitos de lectura.

¿Por qué cree que a la industria editorial le cuesta tanto apostar por la lectura en el entorno digital?

A lo largo de nuestra historia reciente como editores hemos tenido que asumir muchos cambios. No me cabe duda de que también ahora la industria se adaptará al nuevo contexto, por dificultoso, convulsivo y complejo que este sea. Que nadie piense que la migración a la que asistimos es sencilla. La edición digital es la mayor transformación que va a vivir el sector editorial desde la aparición de la imprenta. Toda la arquitectura editorial habrá de definirse de nuevo. Las empresas tendrán que asumir nuevos patrones de negocio. La copia perderá su valor de unidad de medida universal del sistema.

¿Hay que vivir este cambio como una pérdida o un retroceso?

"Internet no niega lo que hasta ahora hemos hecho los editores"

En absoluto. Estamos en los albores de una época que, para el editor, viene cargada de posibilidades extraordinarias, tan sugerentes como estimulantes. ¡Qué horizonte tan apasionante se dibuja!

¿Cree que internet representa algún peligro para el libro?

Creo que todo lo contrario. El libro en su formato tradicional será siempre un auxiliar excepcional, pues, gracias a internet, puede hacer visible su existencia a la práctica totalidad de sus potenciales lectores. Para la edición y distribución digital de los contenidos también, porque supone un reto ante lo desconocido. Es el momento de innovar, de olvidar las viejas rutinas y asumir los retos. La edición española está preparada para ello.

"La red supone que una obra alcance una difusión ilimitada"

¿Qué significa internet para el editor?

Para el editor, internet supone mucho más ganar que perder. Internet no niega nada de lo que hasta ahora hemos hecho. Lo redimensiona y, al tiempo, lo dota de nueva naturaleza. Lejos de oponerse a él, internet consolida y proyecta al infinito el sueño de Gutenberg: la posibilidad de que una obra alcance una difusión casi ilimitada. Eso sí, el nuevo territorio exigirá una nueva cartografía. Cambiará el modelo de negocio. La palabra convivirá con nuevas fuentes de información. Se modificarán las relaciones del editor con el autor, el distribuidor, el punto de venta...

¿Y quiénes serán los protagonistas de esta revolución?

"Hoy no podemos entender la lectura sin contemplar la perspectiva digital"

Pues el propio lector, que ahora adquirirá (antes, durante y después de todo el proceso) una función muy diferente a la tradicional, una nueva posición jerárquica. El lector ya no será sólo un cliente o un mero consumidor. Antes bien, formará parte de la propia cadena de valor de la propuesta. Intervendrá en ella, incluso modificándola, adaptándola permanentemente a sus preferencias y necesidades. Convirtiendo la lectura en mucho más que una destreza, en todo un ejercicio de creación. Por eso reivindico su necesidad y presencia. Para que surja el arte de leer, indisociable del de escribir o editar.

¿Habrá puestos para que se entre en contacto con lectores digitales en Casa del Lector?

Por supuesto. Hoy no podemos entender la lectura sin contemplar la perspectiva digital. Y a ella nosotros queremos estar permanentemente atentos. Los nuevos medios digitales no significan tan sólo un cambio de soporte: implican nuevas formas de leer. Con ventajas indudables. También con importantes riesgos. El reto estará en ser capaces de potenciar cuanto tienen de positivo y minimizar o eliminar lo perjudicial: la velocidad en el acceso a los contenidos o la posibilidad cierta de que estos se enriquezcan con la presencia de diversas fuentes. No deben suponer superficialidad en la búsqueda o, peor aún, incapacidad para la concentración y la profundización, imprescindibles en todo ejercicio lector. Este equilibrio no lo conseguiremos si no lo asumimos como objetivo, si no encaramos el reto con ilusión y compromiso.

"El lector ya no será sólo un cliente o un mero consumidor"

Ahora que lo menciona, su fundación ha investigado a fondo el fomento de la lectura. ¿Es optimista con la situación española?

Tanto como reflejan los diferentes estudios que se han realizado en nuestro país y que demuestran que en España se ha producido un proceso de transformación cultural asombroso. En apenas 50 años, hemos pasado de ser una nación masivamente analfabeta a cosechar índices de lectura que empiezan a ser comparables con los de los países punteros de nuestro entorno, muchos de ellos con un acceso pleno a la lectura alcanzado hace siglos. Esa es la línea a seguir, con especial atención a las nuevas manifestaciones lectoras derivadas de las nuevas formas de transmisión de la información, que aún enriquecerán más la necesidad y valor de la lectura.

¿Leemos cada vez menos y cada vez peor? ¿Es partidario de esa visión?

"Nunca en España se leyó más y mejor que ahora"

Lo que indican los datos es exactamente todo lo contrario. Nunca en España se leyó más y mejor que ahora. Especialmente entre nuestros niños y jóvenes. Créame: en términos lectores, el avance operado en los últimos 20 años ha sido realmente espectacular.

Cualquiera diría al oírle que hemos llegado a la condición óptima.

Desde luego que no. Y, como ocurre en el ascenso a la montaña, los metros que conducen a la cima serán siempre los de mayor dificultad. Para conseguir alcanzar la meta debemos de mantener el esfuerzo realizado. Sólo así lograremos que la lectura sea un derecho al que todos los ciudadanos puedan acceder en igualdad de oportunidades. Vivan donde vivan. La lectura es progreso, prosperidad, desarrollo. Los países punteros del mundo lo son también en comportamientos lectores. La lectura es el mejor índice de la calidad educativa y cultural de un pueblo. Y un país vale, sobre todo, lo que vale su educación, lo que vale su cultura.

"Un país vale, sobre todo, lo que vale su educación y su cultura"

¿Qué aportará el proyecto de la Casa del Lector al usuario?

Una visión amplia y diversa, a veces revolucionaria, de lo que es leer. El usuario podrá participar en la oferta formativa, destinada tanto al profesional (editores, libreros, bibliotecarios o docentes) como al público en general, muy en especial a los padres, pues la lectura en sí define un modelo educativo para nuestros hijos. También, de muchas de las actividades que Casa del Lector realice: aquellas que tendrán que ver con la palabra, con el texto. Pero igualmente con las artes audiovisuales, la ilustración o el diseño. También las artes escénicas y la música.

Ha conocido no menos de una decena de reformas educativas, todas aparentemente profundas, muy pensadas y definitivas. ¿Cree que todas ellas han llevado el camino adecuado?

Todas han aportado indudables beneficios. Unas han tenido que ver con la extensión de la educación a la totalidad de la población (un logro que no valoramos como se debe). Otras, con la necesaria reorganización y definición del currículo. Creo que la que ahora más necesitaríamos sería aquella que incidiera fundamentalmente en los aspectos metodológicos, en la modernización y actualización del modo de enseñar. Y de aprender.

¿Cree que la escuela está al margen de los cambios sociales?

La escuela no puede ser ajena a lo que significa el cambio imparable que vivimos en el modo de acceso y construcción de los contenidos. Debería ser ella la que liderara semejante proceso, pues la educación ha de estar siempre aliada con el futuro. Hoy es fundamental asimilar las nociones básicas y saber cómo llegar a ellas, cómo iluminarlas desde diferentes fuentes de información, cómo comprobar su veracidad... Pero el sistema educativo nos debe aportar algo todavía más estratégico: la eterna curiosidad por aprender, el disfrute del saber, la ilusión de seguir formándonos durante toda la vida.

¿Es suficiente la atención que recibe la lectura en la enseñanza en España?

Hemos avanzado, sin duda, pero aún nos queda mucho camino por recorrer. La lectura es fundamental para cualquier proceso educativo. Es más, sin ella, en esta sociedad de la información en que vivimos, aprender se vuelve casi imposible. La información sólo se vuelve conocimiento a través de la lectura Porque leer es observar. Leer es interpretar. Comprender. Valorar. Asimilar. Y compartir.

El arrinconamiento de las humanidades en los planes de estudio, ¿es un problema grave para el sistema educativo en general?

Yo lo vivo como una pérdida lamentable. Es uno de los dramas educativos más sangrantes de nuestro país, del que nada bueno puede derivar, máxime cuando ahora, en esta sociedad hipertecnologizada, la perspectiva humanizadora se vuelve imprescindible. Reivindico un nuevo Renacimiento. En nuestra historia como país hemos tenido modelos formidables: la Institución Libre de la Enseñanza al frente de todos ellos. Qué distinta hubiera sido nuestra vida si su propuesta pedagógica no se hubiera truncado.

¿Qué les diría a quienes subestiman el valor de las humanidades o de la cultura en la enseñanza porque no arrojan beneficios económicos inmediatos?

Pues que están profundamente equivocados. Hoy sabemos con plena certeza que cualquier proceso de crecimiento económico, para que realmente sea equilibrado, sostenible y duradero, debe basarse en la educación, en la cultura. Es más: el nuevo modelo productivo al que hemos de tender es el que se base en la inteligencia. Esa es la auténtica energía renovable. A la formación de esa persona quiere contribuir la Casa del Lector. Sueño con ayudar a la creación de personas libres, con criterio, corazón y razón. Con una visión esperanzada. Confiadas en que todo es mejorable. Ilusionadas por participar.

¿Por qué es importante la intervención de mecenas privados en la política cultural?

El mecenazgo y las fundaciones son el mejor síntoma de la salud y fortaleza de una sociedad. Cuanto más se impliquen las personas en la responsabilidad cívica, más fuerte y cohesionada estará esa comunidad. Cuanto más cedamos el terreno a la intervención de instituciones que no deriven de la responsabilidad individual, mayor será nuestra debilidad.

¿Por qué en España no se ha incentivado la entrada de capital privado en la cultura?

Porque, quizás durante demasiados años, se consideró la cultura como un campo exclusivo de la Administración pública. Es más, cualquier participación de la iniciativa privada en el mismo se veía con extraordinario recelo. En España necesitamos de un tratamiento al mecenazgo más decidido y generoso.

¿Es tan necesaria la Ley del Mecenazgo?

Necesitamos de un marco que regule realmente su acción. Y, además, que definitivamente la defina, y la distinga de otras formas de participación que tienen más que ver con la promoción, el marketing o la publicidad. El mecenazgo debiera siempre orientarse a las labores a medio y largo plazo. A cuanto no está sujeto a la corta aritmética de los calendarios electorales. Incluso a la deslumbrante aparición en los medios de comunicación. Pero sobre todo debería estar orientado a aquellas labores que realmente redunden en beneficio del ciudadano en su conjunto, especialmente de todos aquellos que tienen menos posibilidades de desarrollo.

De librero a honoris causa en un suspiro
La próxima semana Salamanca homenajeará a uno de sus hijos predilectos con su investidura como doctor honoris causa. Es un broche que cierra una vida dedicada al libro y la empresa, que se inició en plena dictadura en la decana librería Cervantes de la capital salmantina. Allí, un joven librero, hijo de padres republicanos represaliados, decidió dejar sus tareas en el negocio familiar para publicarle el primer libro a un joven habitual de la librería: Fernando Lázaro Carreter (1923-2004). Aquella publicación, además de convertirse en el libro sobre literatura española que ha estudiado generación tras generación de españoles, era la primera piedra de la renovación de la edición de los libros de texto en este país. Corrían los años sesenta, eran los orígenes de la editorial Anaya, que vivió durante tres décadas de la bonanza de un mercado por explotar, hasta que la vendió al grupo francés Lagardère. Mantiene la editorial Siruela bajo la dirección de su sobrina-nieta, Ofelia Grande. Su gran empeño frustrado es el diario ‘El Sol', que reflota en 1990, cuya experiencia apenas dura dos años. Aquel fue el primer periódico en entregar promociones literarias. Desde hace 30 años es el presidente de la Fundación Germán Sánchez Ruipérez.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A pesquisadora que foi expulsa da Espanha Do Brasília-Maranhão

ISTO A GLOBO , BAND SBT NAO CONTAM, NEM A FOLHA NEM ESTADÃO
RETIRADO NO VIOMUNDO CLIQUE NO TÍTULO E VÁ AO ORIGINAL
Brasília(DF), 30/01/2011

Querid@s amig@s e companheir@s

Acho que muitos de vocês sabiam que eu estava saindo de férias junto com minha amiga Gracinha para a Espanha. Pois bem, planejamos tudo, compramos passagem, reservamos hotel e tudo mais. Porém, fomos em vôos separados. Depois de 15 horas de viagem EU fui INJUSTAMENTE DEPORTADA pela imigração da Espanha! Fiquei 15 horas PRESA numa sala da polícia federal sendo tratada como criminosa! Sem direito à telefonema, sem nenhuma informação sobre os motivos pelo qual estava detida e somente depois de 7 horas tive contato com um advogado e uma tradutora. Fui revistada fisicamente e revistaram e retiveram minha bolsa e minha bagagem de mão, tudo isso antes de ter um advogado.

Eles arbitrariamente decidiram que eu não entraria naquele país e fizeram de tudo para arranjar algo para me deportar. Eu tinha todos os documentos que comprovavam que eu tinha dinheiro de sobra para a quantidade de dias que iria ficar, tinha carta do Ministério da Cultura que comprovava que eu trabalho para um projeto do governo brasileiro, seguro viagem pago, reserva de hotel no nome da Gracinha (iríamos dividir um quarto, por isso constava só o nome dela), passagem de volta e até a escritura da minha casa própria em Florianópolis!

Primeiramente eles alegaram que meu cartão Travelmoney do Banco do Brasil não tinha valor nenhum pra eles porque não constava meu nome (o Banco do Brasil não imprime nome neste cartão, é política do banco). Só que eu tinha todos os extratos assinados pelo Banco do Brasil que comprovavam a compra de euros!!!! Mesmo assim eles disseram que não valia e me prenderam na sala. A assistente social da Polícia Federal só fazia era VENDER cartão telefônico para aqueles que quisessem ligar dos telefones públicos que havia nesta sala fechada. Então comprei ironicamente cartões da própria Polícia e liguei imediatamente pra Embaixada brasileira e pro Consulado do Brasil na Espanha.

Eles foram ótimos! Mas disseram que infelizmente pouco poderiam fazer porque a Polícia é arbritária mesmo e até eles ficam de mãos atadas. Tudo que podiam fazer eles fizeram, que foi enviar um fax reiterando que eu tinha dinheiro, dizendo que meu cartão era válido e cobrando informações. Pois bem, depois de mais não sei quantas horas presa, eles admitiram que meu cartão era válido. Como não tinham mais argumento, cavocaram algum.

Como a reserva do quarto duplo foi feita no nome da Gracinha, porque no site do hotel na internet pedia somente um nome, eles alegaram que eu não tinha reserva de hotel!!! A Polícia Federal mentiu na minha cara que haviam telefonado para o hotel e que o hotel havia dito que não havia nenhuma reserva no nome de Graça!!! Neste momento o advogado da própria Polícia que estava ali para me defender argumentou com a Polícia que havia reserva e telefonou do seu celular no viva voz novamente para o Hotel que confirmou que Graça já estava inclusive hospedada!!! Sabem o que a Polícia disse diante deste telefonema em viva voz????? Disse que não valia nada para eles aquele telefonema, que eles já haviam telefonado e decidido pela minha deportação!!!!

Ou seja, eles realmente queriam arbitrariamente me deportar e ponto final!!! Disseram que eu seria deportada no vôo da meia noite e vinte e me prenderam novamente na sala. E para completar o absurdo fui levada para o avião escoltada como criminosa em carro blindado de polícia até dentro do avião. Meu passaporte foi entregue à tripulação e havia uma funcionária do aeroporto no Brasil me esperando com ele na mão para me escoltar até a imigração brasileira!!!!

Somente depois de passar na imigração brasileira tive meu passaporte devolvido! Mas não acabou….pois CARIMBARAM meu passaporte com um signo que provavelmente deve ser o de deportada, sendo que eu nem entrei no país!!! E para finalizar, é claro, que eles extraviaram a minha bagagem! Pois a Polícia não despachou minha mala!!!

Eles são arbitrários e preconceituosos mesmo! Não tem outra explicação e o próprio consulado disse isso pra mim! Havia cerca de 10 pessoas presas nesta situação e todas elas eram latinas e/ou negros da África!!! Ou seja, é XENOFOBIA PURA!!!! Mas XENOFOBIA CONTRA LATINOS E NEGROS!!!! PURO PRECONCEITO!!!

Bem gente, é uma novela né….mas a novela só tá começando….porque eles escolheram a pessoa errada para isso!!! Vou recorrer ao Itamaraty, vou fazer uma queixa oficial na Embaixada da Espanha no Brasil, vou à Secretaria de Política para Mulheres e Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, vou a todos os órgãos que puder para lutar contra esta arbitrariedade!!! Preciso de contatos da mídia para divulgar essa situação absurda!!!

Quero pedir a todos vocês que divulguem em todas as suas redes sociais e que façamos uma campanha CONTRA O TRATAMENTO QUE A ESPANHA DÁ AOS ESTRAGEIROS LATINOS E NEGROS!!!

Obrigada pelo apoio de tod@s
Grande Abraço
Denise Severo
Coordenadora Pedagógica do Projeto Vidas Paralelas
Pesquisadora Associada do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DILMA FALA AO CONGRESSO

DILMA, inova, vai ao congresso nacional e fala para todos, expondo suas diretrizes de governo, e como elas se comprometem com a parceria do Congresso, Senado e Câmara, e , portanto, a necessidade de alianças e compromissos de governo.Sublinha, focos como : a Pobreza, a Educação,PAC,Reformas Políticas, Salário Mínimo, entre outros.Mostrou pulso,sem cair na austeridade demasiada,mas mantendo pulso em sua oratória.Foi aplaudida várias vezes, cortada outras vezes em sua fala por aplauso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Audiência na internet deve crescer 10% no Brasil em 2011, diz IAB Em 2010, as classes C, D e E já representavam mais de 52% da audiência na web

Claudia Tozetto, iG São Paulo


Em 2011, os brasileiros devem acessar mais a internet, seja porque os preços dos pacotes de de banda larga cairão ou por programas de governo que subsidiarão parte do valor mensal, como o Plano Nacional de Banda Larga. De acordo com o Interactive Advertising Bureau (IAB), a audiência na internet brasileira deve crescer 10% durante este ano, reunindo mais de 81 milhões de pessoas com 16 anos ou mais.

Divulgação

Gráfico mostra projeção do IAB para audiência da internet no Brasil em 2011
"2010 foi o ano de consolidação das redes sociais, dos clubes de compras e a internet pautou os principais acontecimentos do País, como a Copa do Mundo e as eleições", diz Fábio Coelho, presidente do IAB e também presidente do iG.

Em 2010, a audiência na internet brasileira foi de 73,7 milhões de pessoas. Deste total, as classes C, D e E já representam 52,8% da população que acessa a internet, enquanto as classes A e B, juntas, respondem por 47,2%.



Classe C, sozinha, já representa 44% da população que acessa a internet
Com isso, o IAB espera que as empresas invistam pelo menos 6,5% do total em publicidade na internet em 2011. "A TV continua tendo a maior participação na receita com publicidade", diz Fábia Juliasz, vice-presidente do segmento de fornecedores do IAB.

Dispositivos móveis

Apenas cerca de 1% da audiência na internet brasileira é gerada por dispositivos móveis, segundo o IAB. O motivo é o preço dos pacotes de dados que ainda são considerados caros. Além disso, apenas uma parte dos smartphones têm plano de dados (30%), mas Coelho acredita que esta seja uma das áreas com grande potencial para o mercado publicitário.

Ainda neste segmento, uma das vertentes que as agências apostam para 2011 é a publicidade por meio de aplicativos baseados na geolocalização do usuário, que incluem redes sociais como o Foursquare. Neste caso, os internautas buscam pontos de interesse a partir do local onde estão e, segundo as agências, a publicidade pode gerar mais resultados.

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