quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A língua mãe escondida

Por: Revista Brasileiros

A identidade linguística de nossos ameríndios. Ela está em diversos campos lexicais
Os guaranis não têm um termo para a palavra natureza porque esse termo implica em uma divisão entre os seres. Nós dividimos os seres vivos em pensantes e não-pensantes. (…) A história desses seres são os relatos que eles geraram, ou seja, são os seus mitos. Esses seres têm uma Palavra alma, que é a sua fundação (…)”.
(Pesquisadora Graciela Chamorro – http://bit.ly/15fEABw)
No dia a dia, não mais enxergamos a identidade linguística de nossos ameríndios. Mas ela está em nomes nos mais diversos campos lexicais.
O tupi é um tronco linguístico – pelo lado colonizador pertencemos às línguas neolatinas já mescladas de inserções de palavras ameríndias. Aqui existe uma diglossia, ou seja, para efeito do poder e da governança, utiliza-se o português. Entretanto, no interior familiar das aldeias, fala-se a língua mãe, como é o caso do guarani e seus subtroncos, como o kaiowá.
Há dois grandes troncos, o macro-jê e o tupi. O primeiro com nove famílias linguísticas e o segundo com dez. Nossos indígenas têm origens de migrações de povos asiáticos que adentram a América, possivelmente via o Alasca. Dessa migração, surge uma genealogia da língua prototupi (Amazônia, nas imediações de Rondônia).
Desse tronco prototupi, surgiriam as línguas (na oralidade) tupinambás, potiguares, tabajaras, temiminós, tupiniquins, caetés, carijós, guaranis, chiriguanos, etc.
Gabriela Chamorro, professora doutora da Universidade Federal da Grande Dourados (UFDG), em Mato Grosso do Sul, realizou um trabalho com os guaranis, por reivindicação dos professores e professoras guarani/kaiowá para o ensino e a disseminação da língua desses povos.
Para esses povos, ver e ouvir sua língua é compreender-se a si e aos outros, assim como ter uma cartografia de seu mundo e a de outros. A língua é sua identidade.
(http://bit.ly/SYnLTQ)
Sem determinar o tronco e subtronco, temos tupi-guarani:
Lugares
Arapiraca, Atibaia, Itaipu, Itambé, Itu, Itatiaia, Jundiaí, Pará, Ceará, Piauí, Paraíba, Sergipe, Paraná, Goiás, Amapá, Roraima, Aracaju, Butantã, Guaratinguetá, Igaraçu, Iguaçu, Itaberaba, Itaim, Itaquera, Ituiutaba, Jacutinga, Pacaembu, Paracatu, Paraíba, Paraná, Piracanjuba, Piracicaba, Piraí, Piratuba, Taguatinga, Tucuruvi.
Habitantes e fenômenos
Capixaba, carioca, potiguar, caatinga, capoeira, coivara, piracema, pororoca, tapera, toca, toró, voçoroca, etc.
Baías, rios, lagos, lagoas e serras
Araguaia, Guanabara, Guajará, Itabapoana, Piratininga, Jacuí, Paraguai, Paranapanema, Ivaí, Uruguai, Jequitinhonha, Mirim, Mojiguaçu, Paranoá, Sapucaí, Paranaíba, Tapajós, Xingu, Taquari, Anhangabaú, Ibirapuera, Tamanduateí, Tibaji, Borborema, Cariri, Ibiapaba, Parima, Paracaima, etc.
Flora
Abacaxi, araçá, buriti, cabiúna/caviúna, caju, capim, carnaúba, caroba, cipó, cupuaçu, guabiroba/gabiroba (e outras variantes), imbuia, ingá, ipê, jabuticaba, jacarandá, jatobá, jequitibá, mandioca, peroba, sapé, taioba, taquara, timbó, tiririca, umbaúba, etc.
(Elia, apud http://bit.ly/YtITCI)
*É paraibano, mestre e doutor pela ECA-USP. Professor de Teoria Literária na Anhembi Morumbi, professor colaborador da ECA-USP, Fundação Escola de Sociologia e Política-FESP, além de contista e poeta com livros publicados (paulo@brasileiros.com.br).

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A literatura nos booktubers




Os booktubers são jovens entre 17 e 30 anos que ensaiam um diário literário nas redes
Paulo-Vasconcelos-header
Eu leio, tu lês, ele às vezes lê. O que se lê? Estas são questões que estão nas redes sociais: Google+, Twitter, Facebook, Instagram etc. Há uma divulgação da importância da leitura, que também se dá por blogs e vlogs de apaixonados pelo livro. Difícil é saber se realmente leram, o que leram ou como enxergaram o texto. Agora surge algo mais concreto, como prova de alguma consistência na web ou, mais especificamente, no YouTube. Refiro-me aos booktubers, expressão da língua inglesa que se disseminou pelo mundo ocidental, especialmente entre a classe média. Seria uma jogada do mundo editorial? Não sabemos, mas um convive com o outro, se dão bem e lucram com isso.
Os booktubers são jovens entre 17 e 30 anos que ensaiam um diário literário nas redes. São resenhas de livros, comentários sobre as obras, sobre o autor, o projeto gráfico etc. Os gêneros preferidos: aventura, suspense, policial, ficção científica, obras que vieram pelo cinema ou vice-versa, clássicos e best-sellers em geral. Algumas editoras americanas e no Brasil vêm aderindo a esse nicho, ainda mais em tempos de crise econômica, em que a faixa juvenil representa um bom investimento. Vale observar as imagens desses jovens nos vídeos. Veem-se novas linguagens e artifícios – a qualidade da câmera, os cenários coloridos, o figurino diferenciado e o lado cômico, repleto de expressões hilárias, que lhes conferem identidade. Seus seguidores, ou assinantes, são muitos, exibem suas leituras e respondem às tags. Os booktubers se espelham por outras mídias das redes sociais, aumentando muito o número de seguidores, o que dá margem ao recebimento de dividendos pelo YouTube, dependendo da sua audiência.
Converso com dois tubers:
Claire Scorzi (youtube.com/user/clairescorzi): “Como bibliotecária, organizo cafés literários no meu trabalho. Os autores e obras são clássicos que li e gostei: literatura policial, literatura fantástica. Só faço vídeos sobre livros e autores que já li e gostei… Não me ligo no mercado editorial; vários dos livros e autores que resenho e elogio estão esgotados ou ‘fora de moda’. Já fiz 472 vídeos.”
Rodrigo Luís: (youtube.com/user/estantecheia/): “A iniciativa aqui no Brasil foi da Tatiana Feltrin do canal Tiny Little Things. Ela fazia vídeos de maquiagem e começou também a falar sobre o que estava lendo a cada semana. Ela as­sistia a vídeos sobre livros de canais estrangeiros e, como não encontrou ninguém no nosso País que também fizesse vídeos literários, decidiu começar a fazê-los. Eu, até agora, já postei 52 vídeos.”
Além dos já citados destacam-se:
Tati Feltrin: youtube.com/user/tatianagfeltrin/
Cabine Literária: youtube.com/user/cabineliteraria
Perdido nos Livros: youtube.com/user/Perdidonoslivros
Pam Gonçalves (Garota It): youtube.com/user/tvgarotait
Por Revista Brasileiros